Síndrome Deja Vu

  • Tiago Belotte

Acomete pessoas resistentes à mudanças. O sintoma mais comum da síndrome é a frase “ah, já conheço, só não uso esse nome”.

 

Design thinking, metodologias ágeis, movimento maker, transformação digital. É difícil mesmo acompanhar a velocidade com que surgem novidades no mundo corporativo. E nem precisa, viu. Necessário é notar, saber do que se trata e avaliar o quanto essa ferramenta, processo ou metodologia pode contribuir para a evolução do seu trabalho. Dois conselhos: use filtro solar e não siga as modas corporativas. Muitas delas prometem aumentar a produtividade e a inovação, mas utilizadas indiscriminadamente, mais atrapalham do que ajudam. Seus critérios devem funcionar como o filtro solar, bloqueando o que não interessa e deixando passar o que vai fazer bem.

Por falar em bloqueio, comportamento mais nocivo para os negócios do que seguir qualquer moda, é não ter abertura para movimento algum. E na maioria dos casos, quem adota esse comportamento, tem o que eu costumo chamar de Síndrome Déjà Vu.

A expressão déjà vu vem do francês e significa “já visto”. No dia a dia, utilizamos para identificar um tipo de ilusão da memória que nos leva a acreditar já ter visto ou vivido alguma coisa ou situação que, em realidade, é  desconhecida ou nova. Pois então, a síndrome segue esse mesmo padrão. E o sintoma mais comum é, ao ser exposta a uma nova metodologia ou processo, a pessoa falar “ah, já conheço, a gente só não usa esse nome”. Para ela, tudo é sempre igual, as pessoas só mudam o nome para criar uma modinha ou para vender mais livros e palestras. Se você se identificou, cuidado. Não é assim. Existem mesmo fenômenos passageiros e puramente mercadológicos, mas também existem novas maneiras de fazer as coisas, para se obter novos resultados.

Caso essa síndrome te acometa ou você já tenha diagnosticado alguém que conhece, a boa notícia é que existe tratamento. O primeiro passo é um exame detalhado das mudanças que estão ocorrendo no mundo. O segundo é um raio-x de quais são as empresas e profissionais que estão se dando bem perante essas transformações. E por último, boas doses de aprendizado, baseadas nos resultados dos exames. Se os sintomas persistirem, é melhor repetir o tratamento.

 

Tiago Belotte é fundador e curador de conhecimento no CoolHow – laboratório de educação corporativa que auxilia pessoas e negócios a se conectarem com as novas habilidades da Nova Economia. É também professor de pesquisa e análise de tendências na PUC Minas  e no Uni-BH. Seu instagram é @tiago_belotte. Escreve nesta coluna quinzenalmente, aos sábados.

 


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