Se quiser saber o final, preste atenção no começo

  • Tiago Belotte

O título deste artigo é um provérbio nigeriano, que guarda em poucas palavras imensa sabedoria. Me faz pensar que desde que o mundo é mundo, nós nos distraímos do princípio e nos preocupamos com o fim. E aí, incorremos em um erro. É logo na primeira parte de qualquer jornada que se define, muitas vezes, o sucesso de todo o percurso.

O adulto criativo, de pensamento crítico e com autonomia – todas competências comportamentais que as empresas mais desejam nos dias de hoje – foi desenvolvido na infância. Quando a imaginação foi valorizada, as perguntas não foram negligenciadas e sua capacidade de fazer por conta própria não foi eliminada pela conveniência dos seus cuidadores.

O filme, o livro e até esse artigo, se não forem bons o suficiente nas primeiras palavras, não tem audiência até o final. E não importa o quando o fim é incrível, sem um bom começo, é tesouro perdido. São nas primeiras linhas ou nos primeiros minutos que se diz a que veio, mostrando para onde vai ou que impacto vai criar. Até nas viagens é assim. São os primeiros metros que definem a direção. Um passo para o lado no início e o destino se torna outro lá no final.

Uma vida ansiosa é uma vida que nos tira do presente e nos coloca sempre projetados no futuro. Como um corredor que tem sua cabeça arrancada nos primeiros passos da maratona e colocada na linha de chegada. Seus olhos admiram o ponto almejado enquanto seus pés tropeçam nos obstáculos mais insignificantes do início.

Falamos tanto nos dias de hoje sobre performance, mas ela sempre vem acompanhada da palavra resultado, nunca do começo ou dos primeiros passos. Me dá uma sensação boa quando estou em uma nova experiência e uma placa indica “comece por aqui”. É como se alguém tivesse reconhecido uma obviedade, não há fim sem começo.

Por isso, pra começar qualquer coisa nova – projeto, empreendimento, jornada – é melhor considerar a sabedoria ancestral que nos alerta, é no começo que se constrói o final.


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