Ressignificando a espiritualidade

  • Mariana Nahas

Espiritualidade implica ir um pouco além do autoconhecimento e adentrar as dimensões internas da alma que não vive para suprir as necessidades básicas do corpo

 

Demorei muitos anos até conseguir entender que a espiritualidade não tinha qualquer ligação com religião. Não se trata da relação que você tem com doutrinas, organizações religiosas, sistema de crenças, comunidades, ritos e dogmas criados pelo homem. Não é sobre templos e livros. Mas uma conexão bem mais profunda com a dimensão interior do ser que leva ao reconhecimento de si mesmo e do seu lugar no mundo.

A busca de sentido é, hoje, a principal motivação do homem. E quando essa necessidade deixa de ser atendida, a vida nos parece vazia. No mundo moderno, o que percebo é que a maioria das pessoas não está atendendo a essa necessidade. A nova espiritualidade chega para estabelecer uma ponte entre o “mundo externo”, moderno, material, cheio de desejos e necessidades do homem e o “mundo interno”, espiritual, invisível, onde o homem está consciente de si mesmo e conectado a uma consciência superior e coletiva.

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Deste lugar ele encontra um sentido mais profundo de significado e propósito na comunidade e no mundo. Dessa forma, há uma perspectiva mais ampla do Universo e de si mesmo enquanto parte desse todo. As pessoas chegam a vida adulta sem saber o que é realmente a vida. Além disso, outras questões parecem confusas, como qual é o jogo que estão jogando e quais as regras, objetivos e valores fundamentais.

Crise de significado

Essa crise de significado é a causa principal do estresse na vida moderna e também das doenças físicas e emocionais. Chegou a hora de ressignificarmos a espiritualidade e entendermos que ela nada mais é do que mais uma habilidade do ser humano de encontrar recursos internos para criar essa ponte entre o universo visível e o invisível, chamada entre outros nomes de inteligência espiritual.

A Dra. Dana Zohar, filosofa e física pela Universidade Harvard, com pós-graduação no Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), atualmente leciona na universidade inglesa de Oxford. Ela foi a primeira pessoa a introduzir esse conceito em 2000, há 20 anos. Ela fala da existência de um terceiro tipo de inteligência que, segundo ela, coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos.

Ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar a espiritualidade para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido e direção. O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos e empáticos. É uma inteligência que nos impulsiona. É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor. O QS também está ligado à necessidade humana de dar um propósito a sua existência. É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações.

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Espiritualidade implica ir um pouco além do autoconhecimento e adentrar as dimensões internas da alma que não vive para suprir as necessidades básicas do corpo, mas sim unir-se ao fluxo divino da criação que é infinito e continua existindo até hoje e para todo e sempre. O homem moderno perdeu a habilidade de sentir e perceber esse fluxo e com isso seu pensar, sentir e agir estão desalinhados e muita vezes em sentidos opostos.

Onde encontrar a felicidade? 

A conexão espiritual se torna então mais um recurso fundamental para encontrarmos a felicidade, a prosperidade, o bem estar e a paz interior. Um dos caminhos mais populares até hoje para se chegar a esse lugar é a meditação e o uso da respiração, entre muitas outras técnicas que vem sendo intuídas e canalizadas nos últimos anos.

A espiritualidade vem crescendo nos últimos anos, mas ainda é vista por muitos como uma coisa exotérica e alternativa. É preciso deixar essa ideia ultrapassada cair por terra, pois entendo que ela seja a essência de uma nova sociedade, mais humana, coerente, coletiva, colaborativa e una enquanto valores e propósitos elevados.

A partir da inteligência espiritual tudo se transforma e passa a fluir com mais harmonia e leveza.

 

Mariana Nahas é coach de vida, terapeuta integrativa, facilitadora de meditação e idealizadora do Programa de Desenvolvimento Pessoal Ser Humano. Acredita que o autoconhecimento e a autocompaixão são as chaves para despertar em nós o ser de infinitos recursos internos que somos enquanto seres conscientes. Escreve quinzenalmente no Portal Vida Simples. Seu instagram é @mariananahas_.


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