Relações mais próximas

  • Lua Fonseca
  • FOTOGRAFIA: Sai de Silva | Unsplash

Para ser exemplo para filhos, amigos, parceiros, é preciso, antes, saber ouvir, acolher e observar

Imagine que a promoção dos seus sonhos aconteceu e você tem o emprego que sempre desejou. Agora, imagine qual seria o percurso natural na busca por ser a sua melhor versão nessa nova função: você poderia conversar com colegas que passaram pela mesma experiência, poderia fazer cursos, ler matérias sobre o tema, até fazer viagens se fosse preciso, para desempenhar seu trabalho, correto?

Tornar-se pai e mãe é como receber essa promoção. Filho é uma oportunidade de entregar ao mundo a nossa melhor versão. Mas, diante desse desafio, preferimos apenas confiar no instinto e naquilo que trazemos como lembrança de infância. Reverenciamos ou negamos nossos pais e, com isso, traçamos o jeito de parentar. Esquecemos apenas um detalhe: nossos filhos habitam um novo tempo.

Os dramas e desafios que enfrentamos hoje não são os mesmos do passado. As pessoas dessa geração não estão dispostas a obedecer a quem não admiram. Essa nova postura não é privilégio apenas das crianças. Nós adultos também não conseguimos mais sustentar relações em que não nos sentimos respeitados. As relações entre pais e filhos entram nesse mesmo modelo e precisam estar construídas sob pilares menos rígidos e mais amorosos.

É um convite a quebrar paradigmas e desfazer certezas, mas para isso é preciso ir além do saber natural. É preciso buscar informação e estar disposto a ouvir mais do que falar, acolher mais do que mandar, observar mais do que controlar.

Nesse processo, acontece uma mudança no papel do pai e da mãe. Saímos da posição em que um mandar e o outro obedece, para estar lado a lado, sendo a margem que a criança precisa. Estabelecemos limites a partir do afeto, do entendimento de que somos rios, precisamos correr para crescer. Olhamos para as crianças como seres iguais, que merecem respeito e precisam de orientação e buscamos nos melhorar como pessoas, entendendo que para ser exemplo é preciso equilíbrio. É uma missão dura, mas me coloco à disposição para quem quiser quebrar os muros das certezas e abrir novos caminhos.


Lua Fonseca
é pernambucana, educadora parental e mãe de quatro filhos, mas também consegue ser outras coisas quando sobra tempo. escreve mensalmente na edição impressa de Vida Simples


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COMENTÁRIOS

  • Simone Kohatsu

    Sensacional. Acredito muito nesta forma de relação. Sim, é muito difícil pois ainda há coisas enraizadas, mas quando se tem consciência disso, fica mais fácil não reproduzir atitudes antigas, que não respeitam o tempo e o ritmo da criança. Ser mãe pra mim é estar aberta para aprender o novo junto com as minhas filhas, cada uma com seu ponto de vista, e claro, os limites são estabelecidos, cheios de afeto. Assim, nos desenvolvemos com respeito.

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