Razão ou emoção: o que nos move de fato?

  • Luana Fonseca
  • FOTOGRAFIA: ALLVISIONN | IStock

A escolha entre razão ou emoção permeia todos os nossos pensamentos e, na sequência, as nossas ações. Mas será que dentro da nossa cabeça esses dois limites são assim tão claros? 

“Você deveria agir mais com a razão e menos com a emoção”. Eu já ouvi essa frase várias vezes. E imagino que você também a conheça. Por muito tempo, inclusive, eu acreditei que isso era possível. Doce ilusão! Quando me aprofundei no estudo do nosso mundo emocional, compreendi que qualquer pensamento ou ação que tomemos, nasce do ventre de nossas emoções. Sejam elas quais forem. A palavra emoção vem do latim emovere que significa ‘o que me move’, ‘o que me põe em ação’. No Coaching Ontológico dizemos que a emoção é uma predisposição a ação.

Alegria ou tristeza, medo, raiva, culpa, inveja, esperança ou desesperança. Há sempre alguma emoção nos movendo. Tanto na relação intrapessoal (que temos com nós mesmos), interpessoal (com outros) ou sistêmica (com o todo, com a vida). A raiva nos diz que algo é injusto e nos impulsiona ao encontro da justiça. A tristeza, que algo importante para nós foi perdido. O medo indica alguma ameaça. E nesse sentido, todas as emoções são bem-vindas, ou ao menos, deveriam ser. Porque cada uma delas é mensageira de algo importante que deve ser escutado com atenção.

Quando a emoção assume o controle

Quando olho para minha história, algo me chama a atenção. Percebo que as decisões mais felizes que tomei, foi quando dei ouvidos a voz que vinha das minhas emoções. E quando digo mais felizes, não me refiro, necessariamente, as mais fáceis. Mas as que, sem dúvida, tornaram a minha vida mais plena. Por exemplo, quando decidi morar com o Marcelo (meu marido), apenas três meses depois de nos conhecermos. A razão poderia até dizer: “Tem certeza? Não acha que está muito cedo para isso?”. Mas meu sentir me fazia ter a convicção que esse era o caminho a seguir. O homem por quem “esperava”, tinha chegado. Alguns meses depois, noivamos, e não muito tempo depois, nos casamos. E nossa vida juntos foi evoluindo no ritmo de nossa paixão. Não me arrependo de nada.

razão ou emoção

Crédito: Tanya Joy | IStock

Outro momento crucial, foi quando estava casada há apenas quatro meses, e no auge da minha carreira corporativa. Vivi uma grande crise de propósito profissional. Tudo o que sentia me levava a querer pedir demissão. Mas, novamente, minha razão dizia: “Tem certeza?”. Afinal, eu não tinha um outro caminho claro a seguir. Como costumamos dizer, não tinha uma carta na manga. O que fazer? Decidi, mais uma vez, escutar minhas emoções e buscar compreender qual a mensagem que elas traziam para mim.

Então, abandonamos a razão?

Dessa forma, as emoções são como um sinalizador de que algo mais profundo está acontecendo. Uma necessidade atendida, ou não atendida, está sempre por trás do que sentimos. E a grande tristeza que me habitava, denunciava que alguma coisa que eu considera importante havia sido perdida. “O que era?”, eu me perguntava. Quando a resposta para essa pergunta chegou, provocou uma ação inevitável. Encerrar aquele ciclo para começar um novo. Mesmo que incerto. A vida pede coragem! Se tivesse apenas considerado a razão, teria me mantido naquele caminho, que já não fazia mais minha alma sorrir. Vale a pena?

Contudo, não quero dizer com isso que não devemos considerar a razão em nossa tomada de decisão. Mas sim, que devemos incluir um território fundamental em nossas vidas, que muitas vezes é desconsiderado por medo de manifestá-lo. Por medo de onde esse tal, mundo emocional, pode nos levar. Assim, se vivermos apenas guiados pela lógica, enquanto as emoções apontam outro caminho, um enorme conflito surgirá dentro de nós. Qual o resultado disso? A tão indesejada, infelicidade.

Razão e Emoção

Quantas pessoas deixam de viver um grande amor, por julgarem que é cedo demais para se entregar? Ou que podem se machucar? Quantas pessoas permanecem em empregos que já não enriquecem suas vidas, por medo de trocar o certo pelo duvidoso?

Há muitos anos nossa cultura julga o ser emotivo, o emocionar-se, como algo ruim, que pode nos enfraquecer. E privilegia o pensar. Como diz a célebre frase de Descartes: “Penso, logo existo”. Como seria a nossa vida se ousássemos declarar: “Sinto, logo existo”? Que mundo poderíamos construir? Desejo que você deixe essas perguntas ressoarem em sua alma. E que possa escutar suas emoções, para fazer as mudanças que forem necessárias. E assim, ter uma vida mais plena e mais feliz.


LUANA FONSECA  é coach ontológica e autora do livro Pode ser Melhor (Bambual Editora). Há alguns anos busca escutar e incluir suas emoções, com mais consciência, em suas decisões.


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