Quer postar? Posta. É de bom tom?

  • Tiago Belotte
  • FOTOGRAFIA: Bruce Mars (Unsplash)

Postar ostentação, conduta imprópria, comportamento agressivo… O nosso comportamento digital precisa da mesma sensibilidade e bom senso do mundo real.

A primeira vez que ouvi as frases transformadas em título dessa coluna, ri. Pelo maneira jocosa que elas foram pronunciadas e pelo contexto de humor. Explico. O texto é uma espécie de bordão da personagem Keila Mellman, uma especialista em decoração e etiqueta virtual, criada pela brilhante atriz Ilana Kaplan. Se você ainda não viu, já fica a minha recomendação. Keila, em seus vídeos no Instagram, dá dicas de decoração para lives e sobre comportamento nas redes sociais. A primeira parte é uma brincadeira em tom de seriedade. A segunda, com os toques sobre como proceder nos canais digitais, é o contrário: falas leves e divertidas com bastante seriedade por trás. Ela fala, por exemplo, sobre o inconveniente de ostentar uma vida privilegiada nos stories enquanto boa parte do país passa fome ou está em insegurança alimentar. A cada comentário, ela recorre ao bordão: quer postar? Posta. É de bom tom? Não é de bom tom.

A partir dos vídeos da Ilana, me vi refletindo sobre a necessidade de nos questionarmos mais antes de fazer qualquer coisa nas redes sociais. Há quem ainda ache que a internet é terra de ninguém e é possível se esconder atrás do anonimato. Não é e não dá. A internet é uma expansão do próprio mundo. As relações lá são apenas a continuidade do que são no mundo físico. O que acontece em um reflete no outro e vice versa.

postar

Austin Distel (Unsplash)

Você tem certeza que vai enviar isso? Essa pergunta é o novo recurso do Tinder que vai mais longe que os conselhos de Keila Mellman. Ele faz as pessoas pensarem antes de enviar mensagens potencialmente ofensivas para outras. Uma ferramenta com a finalidade de diminuir o discurso de ódio dentro da plataforma social. Por trás do mecanismo, uma inteligência artificial analisa se há algo na mensagem que você escreve que pode ser ofensivo para a pessoa destinatária e se detectar algo inapropriado, faz o alerta.

As dicas da Keila e o alerta do Tinder cumprem uma função essencial para os dias de hoje: nos fazer rever como nos comportamos em nossas vidas digitais e estabelecermos relações mais saudáveis uns com os outros. Mesmo num pós pandemia, as conversas, as trocas e as conexões serão cada vez mais virtuais. Cabe a nós torná-las também mais humanas. Isso sim é de bom tom.


TIAGO BELOTE é fundador e curador de conhecimento no CoolHow – laboratório de educação corporativa que auxilia pessoas e negócios a se conectarem com as novas habilidades da Nova Economia. É também professor de pesquisa e análise de tendências na PUC Minas  e no Uni-BH. Seu Instagram é @tiago_belotte. Escreve nesta coluna semanalmente, aos sábados.

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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