Que venha março

  • Lu Gastal

Ei fevereiro… parece que ontem foi dia primeiro, e já é hora de dizer “oi março!”.

Por vezes quis acreditar que os últimos meses não passaram de uma profunda e lenta entrada de ar nos pulmões, também conhecida como inspiração, sucedida de expirações de aliviar a alma.

Mas a vida real logo avisou que não, tempos incompreensíveis viriam à frente!

Há 12 meses escrevi essa coluna de dentro de uma sala sem janelas, também chamada de UTI. De coração miúdo e uma desproporcional certeza-nada-certa, entrei num hospital para acompanhar meu pai; só uns dias, acreditava equivocadamente. A partir dali se sucedeu uma mini e intensa jornada, foi apenas uma dezena de dias e eu daria tudo para tê-la de volta. Mas o tempo é sábio e não manda recados; eu sei, você sabe, todo mundo sabe; eis a afirmação mais incerta e constante dos últimos tempos: tudo passa, um dia passa!

Ah, o que aconteceu ficou para trás, dirão os mais pragmáticos. Ah, mas eu daria tudo por um dejavu, respondo e assumo sem pestanejar. Digo e repito: quando a saudade aperta e volto no tempo, entendo que não faria nem diria nada diferente, sinto apenas uma vontade gigante de reviver aquelas preciosas horas. Essa é das melhores sensações, saber que entregamos o que de melhor tínhamos no momento possível.

O tempo é sábio, não volta e ainda avisa: seguiremos submersos num mar de incertezas e cuidados, exaustos das saudades e cientes de que o vírus desconhecido ainda não deu trégua. Vida que segue, e a gente percorre essa estrada com uma resiliência que até então desconhecíamos. Sabe o que é… nesses últimos meses cada um de nós viveu o seu próprio luto – de pessoas, de liberdades, de entender esses novos tempos.

Oi março, seguimos juntos na estrada! Se no ano passado celebrei a chegada dos 49 anos com um pneu furado na beira da estrada, entendo que nesse ano o desejo que comemorar os 50 com música boa, chopp gelado e bandeirolas coloridas dançando conforme o bater do vento se substituirá pelo desejo do maior dos presentes: um churrasquinho feito pela minha mãe, que receberei em exatos 30 dias…

Oi março! Chegue de mansinho e nos acolha, afinal, de carinho estamos todos precisados! Nos traga doses extras de cuidado, e pode começar a cantar parabéns, porque eu tô felizona! Chegar aos 50 com saúde e poder compartilhar com vocês esse bolo de afetos e desejos é muito especial!

Beijos meus!

EDIÇÃO DO MÊS

Edição 236, outubro de 2021 COMPRAR

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