“Que ano, Papai Noel… Que ano!”: uma carta-terapia de Natal

  • Lu Gastal

Inovando em sua lista de desejos, Lu Gastal faz uma “carta-terapia” e revela ao ser que habita a imaginação de todos quais foram os altos e baixos de seu ano.

Querido Papai Noel!

Em 2020 não lhe escrevi cartinha. Tampouco um bilhete. Tempos difíceis pulverizaram feito névoa a tradicional alegria natalina. Acredito que até no seu distante mundo onírico as celebrações perderam o brilho. As luzinhas coloridas da alma não piscam quando o mundo enfrenta monumentais desafios.

Pude imaginar você e Mamãe Noel, juntinhos no sofá da sala, assistindo às notícias do Natal sem abraços. Sem encontros. As chaminés isoladas e os duendes com aquela mágica energia contida em angústia. No primeiro ano da pandemia, quando nossas vidas foram remexidas ao extremo, o Natal se apagou.

Pulei a nossa tradição por motivos que ultrapassam as restrições da pandemia. Entre perdas familiares, medos, incertezas, eu vivenciava um tempo de energias escassas.

Foram tempos de intensos desafios. De compreender a importância da dor. Observar os reflexos de cada equívoco e chorar diante da inércia de cada saudade. Tempo também de entender com clareza que a responsabilidade de cada passo dado é exclusivamente nossa. E que atribuir aos outros as consequências de nossas escolhas é uma grande covardia.

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Mergulho em nós mesmos

Foram tempos de perceber que é preciso respirar mais fundo. Mergulhar para sentir a importância dos relacionamentos. Perceber e respeitar nossos sentimentos. Processo simples na teoria, mas desafiador na prática.

E agora chega, enfim, um novo dezembro. Já com vacina, e um horizonte impregnado de esperanças. É tempo de colocar para fora aquela vontade pulsante e escrever a nossa tradicional cartinha.

Eu sei, o senhor sabe, todo mundo sabe, que cartinha pro Papai Noel é sinônimo de “suspiro do coração”. Vale pelo que foi escrito, mesmo na incerteza do retorno do destinatário. Mesmo assim, a gente adora ter escrito. Sabendo que a demanda deste ano deve ser triplicada, tentarei ser assertiva.

Pedidos para 2022

Se na tradução do 2021 coubesse apenas uma frase com exatas 6 palavras, eu diria em alto e bom tom: “Que ano, Papai Noel… Que ano!”.

O senhor consegue imaginar quantas interpretações distintas cabem nessa expressão? Um desabafo que se encaixa confortavelmente no coração de qualquer pessoa desse mundão. Sabemos que os tempos de pandemia têm sido avassaladores na saúde emocional da galera. E eu, estou ciente que não tive exclusividade ao nadar loucamente em um mar de provações. Nenhuma exceção aqui, Papai Noel.

As coisas mudaram e não existe novo normal. Existem milhares de superações a serem vencidas, de todas as formas e jeitos. E cada um tem a sua receita para achar o equilíbrio. Vai da importância e necessidade de cada história.

E nessa nossa cartinha-terapia eu estava pensando cá com meus botões. O que diferencia as pessoas é o que elas sentem, certo? Se cada um de nós sente do seu jeito – em tempos, maneiras e intensidades diversas, somos todos diferentes. E tá tudo certo, Papai Noel!

Um dos aprendizados desse ano é de que não cabe nesse momento o papo de “eu sinto mais do que você”.

Estamos todos nos virando nos 30, do jeito que dá. Sem mensurar dores ou desafios, e sim do modo que se encaixa nesse quebra-cabeça emocional.

Mas como essa é minha cartinha, aproveito para contar o que sinto. Traduzo em um suspiro sincero o que pulsa do meu coração. Nunca na minha estrada a palavra GRATIDÃO fez tamanho sentido.

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Que ano, Papai Noel, que ano!

Para o seu conhecimento, acabo de dispensá-lo de ler os motivos. Inclusive porque a deliberação dessa dispensa se deve ao fato de que hoje o verbo AGRADECER se conjuga em todos os tempos e com intensidade dentro de mim. Pedidos? Lógico que tenho, mas eu mesma cuidarei deles.

Para evitar expectativas e consequentes frustrações, nesse ano me concedi um baita presente: cuidar do meu bem-estar. Um olhar profundo sobre corpo e alma. E hoje me sinto como se estivesse embrulhada em uma paz reconfortante. Com papel colorido da serenidade e uma fita de afetos que envolve os meus 1,80m da cabeça aos pés.

Sem mais, e pra finalizar, fique tranquilo: enquanto sigo a estrada (no sentido mais literal da palavra) não deixarei de cumprir a entrega dos presentes que você encomendou. Logo, logo as NataLINDAS estarão prontas para ganhar novos lares. E com elas vai um pouco de todas as coisas que me inspiram. É o ciclo das boas energias que faz as luzinhas da alma recomeçarem a piscar.

Um super e apertado abraço a você, duendes e Mamãe Noel!


LU GASTAL trocou o mundo das formalidades pelo das manualidades. É advogada por formação, artesã por convicção. Autora do livro Relicário de Afetos (Editora Satolep Press), participa de palestras por todos os cantos. Desde que escolheu tecer seus sonhos e compartilhar suas ideias criativas, não parou mais de colorir o mundo ao seu redor.

*Os textos de colunistas não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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