Pesquisa quer entender que impactos a pandemia pode causar na saúde mental

  • Diogo Rodriguez

Tentar manter os vínculos sociais, por meio de mensagens ou vídeos pode ser algo positivo. Onde é possível, seguir realizando alguma atividade física, mesmo em casa, também poderia ajudar a cuidar do corpo-mente

 

É muito provável que a pandemia de covid-19 cause danos psicológicos em muitas pessoas. O isolamento forçado de alguns, a sensação de desconexão e o medo de contrair a doença podem desencadear transtornos de saúde mental.

Por isso, um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto quer entender como os cidadãos estão lidando com essa situação inédita e difícil em parceria com cientistas da Universidad Autónoma de Madrid (Espanha), da Fundação ICEERS, do Centro de Pesquisa em Antropologia Médica (MARC) da Universidade Rovira i Virgili (Espanha). A intenção é criar estratégias para conter e prevenir danos que a pandemia pode causar em curto e longo prazos.

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Um estudo como esses é importante porque a situação que estamos vivendo é uma grande novidade. Desde a pandemia da Gripe Espanhola, em 1918, o mundo não se via diante de um desafio invisível e tão mortal. Para ajudar os cientistas e participar da pesquisa, basta acessar o seguinte link. O estudo vai até domingo, 10 de maio: http://iceers.org/estudocovid19.

Entrevistei Rafael Guimarães dos Santos, do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da USP-Ribeirão Preto para saber que resultados os pesquisadores esperam encontrar e quais estratégias podemos usar para evitar danos à nossa saúde mental.

Entrevista com Rafael Guimarães

Como surgiu a ideia da pesquisa?

Surgiu de pesquisadores da Fundação ICEERS em Barcelona, com quem colaboramos há mais de 5 anos aqui na Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto. Pareceu uma boa oportunidade, um momento único, para saber sobre o impacto psicológico da pandemia.

Que dados vocês vão coletar dos entrevistados? O que eles podem revelar?

Basicamente perguntas sobre hábitos e comportamentos durante o isolamento social devido à pandemia. Fazemos perguntas sobre uso de drogas, sobre como as pessoas se sentem nesse momento, se têm mais ansiedade e depressão, se se sentem mais sozinhas, e como lidam com esses sentimentos.

Existe alguma expectativa a respeito dos efeitos da covid-19 na saúde mental?

Sim, já existem estudos sobre o impacto psicológico do isolamento social em geral e especificamente em profissionais da área de saúde que estão lidando diretamente com a pandemia. Essas pessoas apresentam sintomas de ansiedade e depressão, por exemplo.

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Por que é importante saber que possíveis danos a covid-19 pode causar na saúde mental?

Para tentar entender e prevenir esses danos e para se preparar e organizar possíveis estratégias para lidar com eles.

Por que a pesquisa quer saber da rotina de exercícios físicos? Que impactos gerais eles podem na saúde mental? E que impactos específicos podem ter na situação atual?

A prática de esportes está associada ao bem estar físico e mental, então a redução dessas práticas poderia reduzir a qualidade de vida das pessoas, enquanto aquelas pessoas que conseguiram manter algum tipo de prática esportiva poderiam ter menos sofrimento psicológico durante o isolamento social.

Vocês têm algumas hipóteses a respeito de como esses resultados serão e de que fatores terão maior impacto na saúde mental?

Nossa hipótese é de que sintomas de ansiedade e depressão, além de sentimentos de solidão, vão aumentar, assim como o uso de drogas e videojogos. Pessoas que mantenham mais contato social, mesmo que virtual, possivelmente terão menos impactos negativos. E achamos também que mantém práticas religiosas ou espirituais, e pessoas que usam certas drogas como os alucinógenos/psicodélicos (alguns também em contextos ritual-religioso), também podem se adaptar melhor ao isolamento, pois essas substâncias possuem efeitos ansiolíticos e antidepressivos.

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Já existe algum tipo de recomendação a respeito do que as pessoas podem fazer para evitar transtornos de saúde mental no contexto em que vivemos? E para quem já tem esse tipo de transtorno?

Não conheço nada oficial, mas tentar manter os vínculos sociais, por meio de mensagens ou vídeos, me parece algo positivo. Onde é possível, seguir realizando alguma atividade física, mesmo em casa, também poderia ajudar a cuidar do corpo-mente.

 

Diogo Rodriguez é jornalista e foi diagnosticado com depressão há cinco anos. Desde então, vem estudando o assunto. Escreve neste espaço às quintas-feiras –e divide mais sobre o tema no perfil @falandodepressao. Para conversar com ele e compartilhar sua experiência com saúde mental, mande um e-mail para [email protected]

 

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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