Os inegociáveis da (minha) quarentena

  • Ale Garattoni

Como o autoconhecimento acende a luz de alerta e nos ajuda a perceber o que traz mais saúde e bem-estar para o nosso cotidiano

 

Eu tenho um lema que meus amigos e os participantes dos meus cursos conhecem bem: “ninguém tem que nada”. Nestes tempos incertos, a frase serve para nos tirar do looping das mil lives nas redes sociais e de uma infinidade de conselhos para colocar negócios ou hábitos em dia. O motivo? Nem sempre o que serve para mim será o ideal para você. E é aí que entra a força do autoconhecimento. Apenas olhar para dentro nos ajuda não só a separar as dicas que de fato nos são úteis do excesso de ruídos, mas, principalmente, a identificar os nossos próprios antídotos dentro da nossa mente.

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A primeira semana de maio, com toda a certeza, foi a mais esquisita da minha quarentena. Era como se meu corpo começasse a dar sinais dos efeitos de 60 dias de isolamento total (sem nenhuma saidinha sequer). Corpo travado e ombros duros de tensão que levavam a um mal estar físico, aparelho digestivo desregulado, dores de cabeça e até um início de rinite alérgica iam se acumulando dia após dia. Com o desconforto, todo e qualquer tipo de rotina saudável ia ficando de lado. Nunca fui uma pessoa super disciplinada com exercícios físicos convencionais, mas tinha uma vida bem mais ativa – andava bastante a pé, trocava elevador por escada, vivia me alongando… Um sino interno tocou quando percebi que tudo que eu sentia era consequência de um corpo pedindo socorro:  “mexa-me!”, ele gritaria se pudesse falar.

Ações para manter a saúde mental e física

Especialmente nos últimos dias, eu não mexia o corpo porque estava me sentindo mal. E me sentia mal (fisicamente falando mesmo) porque não mexia o corpo, um círculo vicioso que só consegui vencer quando resolvi trazer mais consciência para o meu processo. Por exemplo, o que te faz feliz? O que te traz bem-estar? O que te dá uma sensação de dia bem vivido? Por mais tumultuado que estejam estes tempos, precisamos entrar em contato com estas perguntas todos os dias. Foram as minhas respostas que me ajudaram a identificar as três ações diárias que são inegociáveis para manter minha saúde mental e física nesta quarentena.

1 – Movimente-se

Ainda meio indisposta, coloquei uma aula de yoga voltada para alongamento na TV. Sem exagero, em apenas trinta minutos, minha energia era outra. Os músculos destravaram, a sensação de enjoo cessou e a respiração ficou mais prolongada. Encerrei a sessão dançando músicas bem animadas com minha filha de sete anos. Meia hora de atividade física será, daqui em diante, um remédio do qual já sei que não posso abrir mão.

2 – Hora do estudo

Quando estou acelerada, não consigo fazer o que mais amo: sentar para aprender algo. Tenho uma alma nerd estudiosa e entendi que ler um livro ou acompanhar um curso online me trazem bem-estar imediato. Com três semanas de atraso, comecei a assistir às aulas da Jornada de Autocuidado da professora de yoga Marcia de Luca, no qual eu estava inscrita.

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Em 21 desafios, ela nos traz hábitos de saúde integral e conhecimentos de ayurveda que ajudam muito nesta fase atual. Aliás, recomendo o trabalho da Marcia para todos que precisam se guiar para melhores escolhas para corpo e mente.

3 – Meditação

A prática entrou na minha vida em 2017, mas, nestes três anos, são muitas idas e vindas do hábito – e cada vez que medito me pergunto “por que é que não faço isto todos os dias se me sinto tão bem depois?”. Tal e qual o que aconteceu com a atividade física, entendi que aquietar minha mente por alguns minutos não tem mais como ser uma opção agora. Meditar por no mínimo cinco minutos diários é, na minha quarentena, questão de saúde básica.

Extra: estipule metas com a alma, não com o ego! 

Muitas vezes, fazemos planos com nosso ego. Em resumo, é ele que apita que a meta deve ser “meditar de manhã e à noite por vinte minutos em cada sessão” ou que você precisa de duas horas de atividade física. Lembre-se: planejamentos megalomaníacos são um prato cheio para não cumprirmos. Minhas meta inegociáveis incluem modestos cinco minutos de meditação e meia hora mexendo o corpo por dia. Afinal, como diz outra frase que sempre repito, “a caminhada de vinte minutos que eu faço é melhor que a corrida de 5 quilômetros que eu não faço”.

 

Ale Garattoni é carioca, formada em Administração de Empresas, com especializações em Marketing e Jornalismo de Moda. Fundadora da Amo Branding, que trabalha imagens de marcas com base no autoconhecimento, e do @Blog5Sentidos, que criou para compartilhar seu processo de transformação pessoal. Por aqui, mensalmente, divide sua experiência nesta caminhada.

 

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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