Os incríveis dois anos

  • Thais Basile
  • FOTOGRAFIA: Leo Rivas | Unsplash

Os dois anos podem ser uma idade desafiadora mas, se mantivermos os olhos nas conquistas, tudo pode ser vivido de forma mais leve

Existe um consenso entre os pais e mães, não sem razão, de que a fase dos dois anos é uma fase difícil da criança. Mas como quase tudo na vida, na mesma proporção das dificuldades, estão as conquistas. E no caso dos dois anos, não são poucas.

A criança próxima dos dois anos está descobrindo que é um ser com vontade própria. Ou seja, ela está passando da dependência absoluta dos pais para uma vida com um pouco mais de autonomia, e viver isso é superimportante para ela crescer saudável. Essa criança está construindo seu senso de “eu” e começou a entender o significado de possuir algo, que até então ela não entendia, porque tudo em que estavam interessados até então, aparecia como uma extensão deles mesmos.

O que acontece é que a partir dos dois anos, a criança já consegue se expressar minimamente. Frases como “eu quero”, “é meu” e “não” passam a ser usadas constantemente. Na verdade, a criança percebe que consegue verbalizar aquilo que deseja (ou não deseja), e é aí que começam os maiores conflitos entre pais e filhos. 

Nessa idade ela não está só aprendendo a significar o mundo com palavras e a decodifica-las: igualmente está desenvolvendo a coordenação motora, o controle esfincteriano e está começando a entender o conceito de regras, tarefa nada fácil pra criança de dois anos, que ainda é muito egocêntrica e concreta, não sabe muito bem entender abstrações. 

Além disso, mudanças enormes nas áreas do cérebro envolvidas na memória ocorrem ao longo dos dois primeiros anos de vida. As amígdalas cerebrais, estruturas responsáveis pelo processamento das reações emocionais, têm um pico de desenvolvimento perto dos 3 anos. Daí a dificuldade deles se autorregularem e da gama de comportamentos que chamamos erroneamente de birra, manha, pirraça. Isso que, na verdade, nada mais é do que a criança sobrecarregada com suas emoções, sem saber ainda verbalizá-las ou regulá-las.

Os dois anos são cheios de energia e movimento, também cheios de imitação. As crianças dessa idade se desenvolvem assim, conseguem ficar paradas somente alguns minutos, ou seja, nossas expectativas precisam ser ajustadas. Os dois anos são maravilhosos para o desenvolvimento e sim, podem ser cansativos. Mas se mantivermos os olhos nas conquistas e aceitarmos que a dificuldade faz parte, tudo tende a ser vivido de maneira mais leve para os adultos e para as crianças.

 

Thais Basile é mãe da Lorena, palestrante e consultora em inteligência emocional e educação parental, eterna estudante. Apaixonada por relações humanas e por tudo que a infância tem a ensinar. Compartilha um saber para uma educação mais respeitosa no @educacaoparaapaz. Escreve nesta coluna às segundas-feiras.

 


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