Os filhos nos puxam para o presente

  • Thais Basile
  • FOTOGRAFIA: Fizkes | iStock

Nas minhas palestras, quando falo das dificuldades de educar uma criança e cito a “presença no presente” como um dos desafios, algumas pessoas me olham intrigadas.

Imagine uma criança de três anos brincando sem se dar conta do que está fazendo, pensando se amanhã terá aula de música na escola e se o instrumento que irá tocar é o que ela mais gosta. Imagine uma criança de quatro, arrumando seus brinquedos e pensando na festa do dia anterior, imaginando se ela poderia ter descido mais uma vez no tobogã para que aproveitasse um pouco mais a diversão. Impossível, não? As crianças não têm ainda o cérebro totalmente desenvolvido a ponto de projetar ideias e julgamentos no tempo, elas são concretas, vivem no PRESENTE.

Nós, adultos, estamos muito acostumados a viver na nossa mente, que nos conta histórias sem parar sobre nosso passado e nosso futuro. Nos apegamos com tanta força a isso, que a chamamos de REALIDADE. Nós vivemos nessa realidade simulada, não no presente.

Quando uma criança pede para que um adulto sente e brinque com ela, ela está pedindo essa presença, pedindo que esse adulto saia do modo “história” e entre no modo “consciência”. Isso pode ser tão dolorido quanto difícil, e para alguns, impossível. Não é raro eu me deparar com pais que dizem não gostar de brincar com seus filhos, e evitam essa presença consciente a todo custo. Veja, não tem nada a ver com falta de amor ou de dedicação, tem a ver com o quanto fomos acostumados a achar que nossos pensamentos são a nossa realidade, o quanto fomos acostumados a fugir do presente, das sensações do nosso corpo, das emoções que emergem nessa realidade, e principalmente das dores que surgem a partir delas.

A criança todo dia nos traz essa oportunidade linda de conexão, não só com ela, mas principalmente conosco. Que saibamos não desperdiçar.

 

Thais Basile é mãe da Lorena, palestrante e consultora em inteligência emocional e educação parental, eterna estudante. Apaixonada por relações humanas e por tudo que a infância tem a ensinar. Compartilha um saber para uma educação mais respeitosa no @educacaoparaapaz. Escreve nesta coluna às segundas-feiras.


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