O Sagrado Feminino não exclui o Masculino

  • Kareemi
  • FOTOGRAFIA: Brooke Cagle | Unsplash

O tema “Sagrado Feminino” tem sido muito popular hoje e parece ser o primeiro contato com uma visão mais amorosa e espiritualizada na busca de muitas mulheres que sentem o chamado para se reconectarem com sua energia feminina. No entanto, é extremamente importante que estejamos conscientes de que tanto o Sagrado Feminino, quanto a energia feminina, incluem a energia masculina.

 

Existe uma ideia equivocada de que todo esse contexto seja exclusivo nosso, afinal somos mulheres e estamos buscando algo valioso que se perdeu há milênios por conta do patriarcado (símbolo da energia masculina em desequilíbrio). Seria natural acreditarmos que isso tudo cabe somente a nós, ou que os homens não têm interesse nisso tudo.

Mas vamos olhar para isso de uma perspectiva mais ampla, com base em conhecimentos ancestrais, e especialmente, mais sintonizada com a inclusão e colaboratividade femininas?

Todos nós (homens e mulheres) temos as energias Yin (feminina) e Yang (masculina) e que precisam estar em equilíbrio para que possamos nos relacionar, criar, prosperar, viver de modo geral utilizando em cada momento o potencial dessas energias a favor das nossas vidas. Mas quase nunca elas estão em equilíbrio pelo sistema em que vivemos, pelas dores e amores que vivemos, por inconsciência mesmo.

E uma das coisas mais curiosas que acontece com muitas mulheres (no meu ponto de vista) é observar que muitos movimentos feministas acabam se confundindo. Ao invés de lutar por nossos direitos, cria-se uma luta contra os homens.

Sim, se vivemos tantos abusos, exclusão social e desrespeito, é porque ainda esse “masculino em desequilíbrio” perpetua nos dias e hoje. Mas quando entramos numa luta contra os homens em geral (e isso pode acontecer sem nos darmos conta), sem discernir quais são nossos reais objetivos nessa luta pelos nossos direitos, podemos estar também com nossa energia Yang desequilibrada.

Este é um comportamento muito comum em mulheres que sofreram abusos de alguma forma e, naturalmente, têm raiva, medo ou muita dor em relação ao masculino. E isso não acontece somente no cenário dos relacionamentos amorosos. Diariamente tenho contato com mulheres cuja dor começou na figura paterna. Rejeição, machismo, opressão já dentro de casa desde a infância, geram sequelas profundas no corpo, alma e vida de uma mulher.

O ponto é: o Sagrado Feminino é uma energia que tudo habita. Ela está em nós, nos animais, na natureza, nos astros, e nos homens também. Ela é a energia do amor, da generosidade, colaboratividade. Da criação! E ela precisa ser desbloqueada e expandida.

E o feminismo é um movimento necessário e urgente para lutarmos pelos nossos direitos – o que requer, inclusive, rever e fazer a lei valer para crimes contra nós, que nunca são punidos (muito menos de maneira justa). Esse é o caminho de ir contra homens que compactuam com tanta desarmonia.

Têm muitos homens despertando e querendo se conectar com nossas buscas. Quando abro meus eventos  aos homens, que em tese seriam de interesse exclusivo feminino já que falo sobre útero, sempre eles aparecem! E é a coisa mais linda vê-los querendo compreender tudo.

O mesmo acontece no meu instagram profissional, onde uma parcela que segue são homens. Esses números obviamente são pequenos, mas eu vejo como um grande início de apoio, parceria, equilíbrio! Eles querem entender sobre a TPM, o ciclo menstrual, o corpo feminino. É uma benção isso!

E por tudo isso, nós, mulheres, precisamos sempre deixar sempre a porta aberta. Podemos  apresentar o caminho. Entra nele, quem estiver pronto. Sem expectativas… oferecer sem esperar vale muito.

Fazer a nossa parte, é sinal de conexão com o Sagrado Feminino que nos habita.

Honrar o Sagrado Masculino, é uma forma de colaborar com o equilíbrio do nosso planeta.

Ter consciência de que todos somos um, pode curar muitas dores e ressignificar situações que têm impactado nossas vidas.

Com amor e compaixão, tudo fica leve.

Mas para despertar essa consciência, sentir medo, raiva e dor, faz parte do processo. Estamos na condição humana.

O importante é não excluir nada nesse contexto todo, pois o amor não exclui. Ele acolhe.

Kareemi é criadora da Ginecologia Emocional, autora do livro Viva Com Leveza (Gente) e palestrante motivacional. Nesta coluna, quinzenalmente, trará reflexões sobre os comportamentos, emoções, corpo e alma femininos. Seu instagram é @ginecologiaemocional


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