O DILEMA DAS REDES, de Jeff Orlowsky

  • Suzana Vidigal

Onde é que nós vamos chegar com essas redes sociais?

 

Começar esta reflexão com uma pergunta dá a impressão de que estou jogando pra você, leitor, a batata quente. E estou mesmo. Não tenho ideia da resposta – ou, melhor, tenho um certo pavor de pensar nas alternativas. Quero entender, nem que seja minimamente, o que é que pretendemos admirando, de forma vazia, a vida dos outros. Esquecendo de viver a nossa.

O Dilema das Redes

O documentário da Netflix, já veio tarde, num momento em que já há uma geração inteira dependente.

Ou melhor, gerações – seria ingênuo e injusto colocar só no ombro dos jovens e adolescentes essa carga. Adultos incluídos, com toda certeza. Retomando: falar do vício das redes veio tarde, quando já estamos todos vidrados na telinha, quimicamente dependentes das curtidas, do número de seguidores, de saber o que os outros estão fazendo, comendo, vestindo; de onde vem, pra onde vão.

O Dilema das redes

Quimicamente sim – porque está provado que a sensação de satisfação que isso gera é responsável pela produção dos hormônios do prazer. Sim, felicidade por se sentir aceito, olhado, admirado, invejado. Virtualmente. Sem vínculo. Sem olho no olho. Vamos chamar isso de “felicidade”, só pra ficar mais fácil o raciocínio.

O Dilema das Redes veio tarde

porque se nada disso acontece, quando a “felicidade” não bate na porta, as redes sociais são competentes fábricas de produzir frustração. Poucos seguidores, poucas curtidas, corpo fora do padrão de beleza, bolso incompatível com o consumo desenfreado – uma linha de produção de ansiedade.

O documentário veio tarde porque já faz um bom tempo que precisamos falar sobre isso. Precisamos falar sobre ser aceito, pertencer. Sobre precisar da aprovação dos outros, sobre o fato de relacionamentos na vida adulta dependerem do virtual para tomar forma. Sobre solidão, autoestima, amor próprio.

 

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As redes sociais são ferramentas interessantes, úteis e divisoras de águas, que mudaram para sempre nossa forma de se relacionar, de trabalhar, de viajar, de comprar, de pensar.

O filme veio tarde porque esquecemos de mantê-las sob rédea curta, de assumir o controle a qualquer custo, e sobretudo de não permitir manipulações, nem pela engrenagem da própria ferramenta que nos conduz ao vício, nem pela ilusão de que a vida do outro é sempre melhor.

Veio tarde, mas nem tudo está perdido. Tenho ouvido comentários sobre O Dilema das Redes. As pessoas estão assustadas com o que andam consumindo nesse espaço virtual. Se os bastidores revelados pelo documentário assustaram você, está valendo. Portanto vamos parar pra pensar. Pensar antes de usar. Usar quando faz sentido. Sentir que estamos apropriados das nossas vidas.

Convido você a assistir ao filme e trago de volta a pergunta do começo. Vamos observar, transformar hábitos e decidir o que é que desejamos, genuinamente, fazer com tudo isso.

Onde ver: Netflix

 

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