O amor rege a vida

  • Lu Gastal
  • FOTOGRAFIA: Pawel Czerwinski | Unsplash

É o amor quem rege a banda da vida. Porém, a música nem sempre é festiva. Às vezes, carrega acordes melancólicos que fazem doer a alma.

Querido leitor, pode parecer clichê, mas hoje quero falar de AMOR! Enquanto o mundo o celebra em fevereiro, aqui no Brasil ele é assunto badalado em pleno junho. Dizem que na década de 50, o dia dos namorados foi aqui instituído por uma estratégia comercial visando alavancar vendas em um mês onde as mesmas eram fracas.  Eu sei, você sabe, todo mundo sabe, as datas existem para dar um up no comércio, e com o AMOR não seria diferente, então pego carona para uma reflexão das mais genuínas.

Hoje quero falar de amor. E, assim, como em momentos formais da vida real, a você peço que testemunhe essa autodeclaração. Tenho um amor que transborda em mim. Por vezes até dói, na intensidade de um coração regido sob o signo de áries, pois há momentos em que falta racionalidade no corpo que o conduz. Sou uma pessoa de personalidade intensa e quem comigo convive sabe que distribuídos em 1,80 há um amor intenso por aqueles e aquilo que me são especiais – sejam relacionamentos, sejam sonhos ou ofícios.

Ondas e marolas

Talvez até desejasse ter como principal característica um comportamento cartesiano, mas sou pura emoção. E exatamente dessa maneira cheguei à tal maturidade, palavra tão falada e badalada atualmente nas redes sociais. Para quem vê do lado de fora, chegar aos 50 é só alegria e descobertas bacanudas. Mas para quem vive é um mar repleto de grandes ondas e marolas. De medos, angústias, erros em tentativas de acertos, de hormônios que ora são escassos, ora  abundantes. E essa mistura maluca literalmente chacoalha a vida da gente.

Antes que você se pergunte “o que isso tem a ver com o amor?” Respondo: ao meu olhar, a maturidade e o amor andam de mãos dadas. E, no meu caso, é ele, o AMOR, quem rege a banda da vida. Fato é, nesse coreto a música que toca nem sempre é festiva. Às vezes até carrega acordes com notas melancólicas que fazem doer a alma.

As perdas

Em 2020 perdi dois grandes amores. Um me foi levado pela tal doença que nem gosto de pronunciar o nome. O outro partiu após minha dificuldade em equilibrar conflitos emocionais inerentes da vida a dois. E tudo isso aconteceu junto e misturado aos medos e incertezas da pandemia. Talvez minha mochila estivesse muito pesada, mas sobre isso falarei noutro momento. Sabe-se que para amores que se vão pelas mãos de Deus não há nada a fazer senão agradecer pelos momentos vividos.

Karina | Unsplash

Karina | Unsplash

Mas para aqueles que perdemos pelo caminho há muito a ser feito sim. Se acreditarmos e sentirmos que há algo pulsando forte dentro da gente, a estrada estará ali inteiramente à nossa frente, com a vida acenando a possibilidade de uma reconstrução. Esta baseada em equilíbrios, com o coração rogando pela oportunidade de reescrever histórias.

Reconstruir

Foi, aliás,  citando (re)construções que encerrei a última coluna, “Vivemos tempos de reorganizar, de peneirar nossas necessidades e urgências. Tempos de renovar valores e amores, de papos honestos, de faxinar a casa e a alma. Vivemos tempos de olhar para nós mesmos, de honrar o que nos trouxe até aqui. Decerto, são tempos de (re)construir, e de seguir em frente”.

E hoje, querido leitor, numa gelada tarde de inverno, em pleno mês do amor, aqui desnudo meu coração e celebro a vida. Celebro os recomeços e aos amores sólidos que com tempo e paciência têm a grandeza de sanar as dores com o diálogo, leveza, companheirismo e cuidado mútuos necessários nesta nova estrada.

E por aqui me despeço, parafraseando Oswaldo Montenegro na linda canção Metade, lá pelos não tão distantes anos 80 “que a minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é amor, e a outra metade também”. A quem até aqui me leu agradeço, essa não é apenas mais uma coluna que a cada 15 dias carinhosamente divido com vocês, é uma declaração ao amor da vida!

Beijos meus!


Lu Gastal trocou o mundo das formalidades pelo das manualidades. Advogada por formação, artesã por convicção. É autora do livro Relicário de Afetos (Editora Satolep Press) e participa de palestras por todos os cantos. Desde que escolheu tecer seus sonhos e compartilhar suas ideias criativas, não parou mais de colorir o mundo ao seu redor.


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