Nossa casa pós-pandemia

  • Giuliana Sesso
  • FOTOGRAFIA: Jason Briscoe | Unsplash

Da mesa à horta: o que sua casa mostra sobre quem você se tornou pós-pandemia?

Há anos a palavra casa vinha perdendo seu real sentido, deixando de ser o nosso refúgio acolhedor e se tornando quase um bed & breakfast. Ou um hotel, como meu pai dizia lá nos meus 20 e agitados anos, em que eu só voltava para comer e dormir.  A rotina insana do trabalho, dos compromissos sociais, e todas as implicações da vida moderna nos afastaram da nossa casa, do nosso ninho.

Logo, os desejos para o nosso lar foram deixando de estar atrelados ao conforto, bem-estar, família, calma e paz. Passaram a atender as ofertas high tech de mercado, com suas as geladeiras enormes que fazem gelo na porta, as mais novas TVs que nos possibilitam ter verdadeiros cinemas em casa. Ou equipamentos de som que nos fazem sentir presentes em shows ao vivo.

Até aí tudo bem. Queremos tudo isso e muito mais. Entretanto, o que não devemos esquecer, repito, é do verdadeiro sentido da palavra casa. Como podemos ter lares modernos, completos e tecnológicos, mas que ao mesmo tempo façam o contraponto com os tão importantes bem-estar, consumo do bem e sustentabilidade?

Lar doce casa

Durante os quase um ano e meio de pandemia passamos muito mais tempo em nossas casas. Logo, adquirimos ótimos novos hábitos que não deveriam ser perdidos com a “volta ao normal”, como estarmos mais próximos das pessoas que realmente fazem a diferença em nossas vidas.

Com isso, nossas casas voltaram ao seu antigo papel de acolhimento. Portanto, resgatamos a relação de carinho e a atenção que havíamos perdido. Investimos na nossa casa e conseguimos transformar nossas residências em lares acolhedores. Uma pesquisa recente do Pinterest Business aponta os novos perfis dos consumidores pós-pandemia, que mostra o quanto nos conectamos com nossa essência e com o que faz sentido para nós.

O estudo mostra o quanto evoluímos de fato durante a pandemia e, como podemos, através das nossas escolhas inclusive as de consumo — manter essas mudanças. Sim, não podemos ao longo do tempo nos esquecer dos ganhos desse período. Dessa forma, ganhamos um novo estilo de vida muito mais prazeroso, saudável e responsável. Acredito que você, assim como eu, deva se identificar não com um, mas com vários dos perfis traçados pela pesquisa. Portanto, vale refletir sobre como aproveitar essa descoberta daqui em diante. 

Conexão interior e exterior

De acordo com a pesquisa, o perfil  Ritualista é aquele que passou a se apoiar ainda mais em rituais para se sentir mais saudável física e mentalmente. Entretanto, esses pretendem continuar evoluindo no pós-pandemia. Assim, compraram incensos, pedras e cristais e trouxeram para os seus lares mais plantas e elementos naturais. E suas casas receberam cantinhos para meditação e altares.

Já os que se encaixaram no perfil Apegado, estabeleceram uma forte reconexão com familiares e amigos mais íntimos e não querem perder isso agora na retomada. Esses investiram ainda mais em suas casas. Nunca se vendeu tantos jogos de jantar, peças para mesa posta e móveis. E mais e mais pessoas descobriram o prazer de cozinhar. “Passamos por momentos muito difíceis e cheios de adversidades e estar em casa com quem amamos, torna o simples estar em casa ou estar à mesa um momento especial”, confirma a designer de cerâmica Danielle Raiola. 

pós-pandemia

Maddi Bazzocco | Unsplash

O poder da nossa natureza

A possibilidade do homeschooling e do home office facilitou a vida dos novos nômades, que valorizam a vida ao ar livre e as viagens frequentes. Em sua volta para casa, após mais de um ano da praia para o campo, do campo para a cidade, seus lares agora contam com hortas próprias.

Assim, passaram a valorizar ainda mais a luz natural. Junto com isso veio a busca, especialmente nas cidades grandes, por habituações que privilegiam o ar livre e a conexão com a natureza.

Eco e sustentável

O sustentável — um dos perfis que mais aumentou o número de integrantes — não estão restritos a natureza, mas à todos os seus desdobramentos. A valorização do “made in Brazil” e a inclusão no decor de produtos artesanais vindos de comunidades de diferentes regiões do país — entre eles muitos de origem indígena — a preferência por móveis feitos com madeira certificada.

Contudo, eles não páram por ai. Os sustentáveis lançam mão da criatividade e reaproveitam materiais como vidros que podem receber velas e flores. Valorizam a compra de usados como vitrolas e móveis antigos que trazem conexão emocional, substituem materiais plásticos por biodegradáveis.

Por fim, as lâmpadas incandescentes foram trocadas pelas fluorescentes ou de LED, que consomem menos energia. Esses são apenas exemplos de algumas das iniciativas que se tornaram mais difundidas nos últimos tempos. 

Do sonho à realidade

Por último,  o perfil é do Empreendedor. Esse ganhou muita força por conta da crise no mercado de trabalho. Com esse movimento, hoje muitos lares acomodam escritórios, ateliês e oficinas. Contudo, vale destacar que muitas pessoas descobriram que seus hobbies e paixões poderiam se transformar em negócios de sucesso. E, melhor ainda, se puderem ser exercidos de casa.

E você? Qual o seu perfil pós- pandemia e como a sua casa evoluiu (ou ainda pode evoluir) para proporcionar a você e aos que te rodeiam uma vida com mais conexão e mais sentido? Abra a porta para essa reflexão!


GIULIANA SESSO acredita num caminho de consumo mais empático e positivo, para uma vida com mais sentido, uma sociedade mais justa e um planeta mais bonito.  @giuliana_sesso 

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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