Não monetize seus hobbies

  • Tiago Belotte

Quero dizer com isso que você deveria trabalhar com algo que não gosta? Não. Mas acredito que você possa fazer essa escolha de forma mais consciente.

 

Sim, essa proposta vai contra o que a maioria das pessoas defende ou acredita. Não, você não leu errado. Quem nunca ouviu a expressão “faça o que você ama e não terá que trabalhar nem um dia”. Sinto em dizer, mas é mentira. Aliás, essa é uma das maiores mentiras que ouvimos no campo profissional e ela já fez grandes estragos por aí, principalmente para a geração Y, nascida entre os anos 1980 e 1996, que agarrou essa promessa com todas as forças e está recebendo em troca longas jornadas de trabalho, estresse e burnout.

Agora que lancei a bomba, vou me justificar em duas partes. A primeira diz respeito ao fato que, uma vez você tenha transformado um hobby, algo que você fazia por puro entretenimento, em trabalho, você terá dificuldade em separar os momentos de dedicação profissional, dos momentos de lazer. Isso quer dizer que a frase poderia ser reescrita como: faça o que você ama e provavelmente trabalhe loucamente sem saber a hora de parar.

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Quero dizer com isso que você deveria trabalhar com algo que não gosta? Não. Mas acredito que você possa fazer essa escolha de forma mais consciente. Ter certeza de que quer transformar algo que te traz apenas prazer, em algo que vai se misturar com obrigações, frustrações e dinheiro. Certa vez, um músico profissional me disse: hoje eu queria ter de volta o amor pela música que os músicos amadores tem.

Realizações

Mas, lembre-se: você gostar de fazer deve ser apenas uma parte da equação. Outra parte fundamental é se o resultado do seu trabalho, medido no tempo, vai te trazer realização, independente dos desafios que tiver de enfrentar. Ser algo em que você deseja se aperfeiçoar sempre e que o mundo precisa e continuará precisando num futuro próximo, também são elementos a serem considerados.

A segunda parte é mais simples, mas igualmente importante. Seus hobbies alimentam sua criatividade. É o que a gente faz nas horas vagas e por pura diversão que nos torna mais criativos. As crianças sabem disso, por exemplo. Nós também, só precisamos nos lembrar. E se você já transformou seu hobby em trabalho, tá tudo bem. Que ele ocupe só essa caixinha e deixe espaço para você criar outros. Na dúvida, apenas divirta-se.

 

Tiago Belotte é fundador e curador de conhecimento no CoolHow – laboratório de educação corporativa que auxilia pessoas e negócios a se conectarem com as novas habilidades da Nova Economia. É também professor de pesquisa e análise de tendências na PUC Minas  e no Uni-BH. Seu instagram é @tiago_belotte. Escreve nesta coluna quinzenalmente, aos sábados.

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