Minimalismo: um documentário sobre as coisas importantes, de Matt D’Avella

  • Suzana Vidigal
  • FOTOGRAFIA: Netflix/Divulgação

Quem ainda não parou para olhar dentro de armários e gavetas, para observar se o tamanho da sua casa condiz com o que precisa, se o que você compra está de acordo com seus valores, se as informações que você consome fazem sentido, essa é a hora

 

Já se vão seis meses desde que a pandemia nos fixou dentro de casa. A rotina que antes exigia movimentação e deslocamento, passou a pedir planejamento dentro de limites muito bem definidos. A casa passou a ser a fronteira da responsabilidade e o lugar seguro. Fomos impulsionados a olhar para ela com olhos de quem olha para um lar. A transformar o lugar de passagem do dia a dia em meio a tantas obrigações, em lugar de permanência. Uma oportunidade preciosa de observá-lo e pensar se ele nos representa.

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A casa onde moramos diz muito – senão quase tudo – sobre nós. Como dividimos os ambientes, que cor têm as paredes, se entra luz natural. Que espaço ocupamos, que espaço usamos, que objetos expomos. Diz muito sobre o que consumimos, como nos alimentamos, sobre nossas prioridades.

Durante os meses de quarentena, afinal, no contato íntimo com cada uma das particularidades desse lugar, tivemos a chance de observar o escolhemos colocar pra dentro de nossas vidas, o que escolhemos consumir, como convivemos em família – se é que convivemos. Sorte de quem aproveitou essa chance. Transformar essa experiência desafiadora do isolamento em aprendizado é o pulo do gato.

Minimalismo

Me mudei para meu apartamento semanas antes do shutdown mundial, vinda de uma casa grande, em que havia espaço pra muitas coisas não só desnecessárias, mas principalmente desconectadas comigo. Pra fazer caber, já tinha dado cabo de, arrisco dizer, 60% do que eu tinha. Sem medo de errar. Depois dos seis meses de reclusão, olho para várias coisas, roupas, utensílios de cozinha, adereços, livros que trouxe comigo, mas que agora estão na minha prateleira interna do não-quero-mais.

 

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Tudo isso pra dizer que, durante a quarentena, garimpando conteúdo para fazer os vídeos de dicas de filmes que pudessem inspirar, entreter, gerar reflexões no Cine Garimpo, uma das produções com que me deparei e recomendei foi Minimalismo: Um Documentário Sobre as Coisas Importantes (procure pelo título original em inglês: Minimalism: A Documentary About the Important Things). Sobre dois jovens que percebem que estão reféns do padrão de consumo impresso pela mídia, pela publicidade e pela sociedade, e que vivem escravos dessa loucura que é ter tudo, a qualquer preço. Então, decidem se desfazer de tudo que é supérfluo e que não faz sentido. Escrevem um livro e saem pelos Estados Unidos numa turnê pra propagar a boa nova: viver com menos é ser livre!

Um salto mais livre

Quem ainda não parou para olhar dentro de armários e gavetas, para observar se o tamanho da sua casa condiz com o que precisa, se o que você compra está de acordo com seus valores, se as informações que você consome fazem sentido, essa é a hora. Minimalismo permeia o olhar crítico em relação ao apego à imagem que tanto é ressaltada no modo de vida da sociedade contemporânea. Agora que a vida volta a um ritmo mais externo, sorte de quem já se movimentou internamente pra transformar. Quem ainda não fez, o cinema pode ser esse trampolim para um salto bem mais livre, leve e solto!

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Onde ver: Netflix

 

Suzana Vidigal é tradutora, jornalista e cinéfila. Gosta de pensar que cada filme combina com um estado de espírito, mas gosta ainda mais de compartilhar com as pessoas a experiência que cada filme desperta na mente e na alma. Em 2009 criou o blog Cine Garimpo (www.cinegarimpo.com.br e @cinegarimpo) e traz, quinzenalmente, dicas de filmes pra saborear e refletir. 

 

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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