Escritores da Liberdade, de Richard LaGravenese

  • Suzana Vidigal
  • FOTOGRAFIA: Divulgação

A escrita carrega registros que nos colocam em contato com as experiências alheias. Que vão ser o gatilho, muitas vezes, pra tirar debaixo do tapete nossas mágoas, rancores, medos

 

Escrever ajuda a organizar o pensamento, nomear os sentimentos, curar as feridas. Tem muita gente produzindo escrevendo diários, narrativas, histórias, roteiros nestes tempos estranhos de pandemia que vivemos. Esperemos um pouco e virão relatos escritos deste momento, transformados em literatura, quadrinhos, cinema, teatro e outras tantas formas de arte. Além de registro, é desabafo, reflexão, autoconhecimento.

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Mas não precisamos de pandemia pra dar asas ao processo narrativo produtivo – a vida se encarrega de nos apresentar uma dinâmica tão complexa, que é fonte farta de matéria-prima para uma boa contação de história. Invariavelmente, isso tem de sobra – o que falta é o exercício da escrita, é a confiança de ter o que contar, é um mentor que incentive o processo. Quem começa, não para mais. É como dar cara pra voz interna, mesmo que seja só pra nós mesmos.

Escrita liberta

Tudo isso pra dizer que, se for pra nós, já é transformador. Liberta. Foi o que fez o projeto da professora do ensino médio na Califórnia, nos anos 1990, que quebrou paradigmas e mostrou do que um olhar sensível, empático e criativo é capaz. Hilary Swank é Erin Gruwell, professora de inglês, que arruma emprego em uma escola que já não é top de linha porque participa do programa de integração da comunidade local. Agora, a escola admite alunos da comunidade negra e hispânica, refugiados e ex-detentos, adolescentes cujas famílias são disfuncionais, gente envolvida em crime, gangues, no esquema cruel do matar-ou-morrer. Aprender não está na ordem do dia para esses jovens, que não veem na escola a função primeira da educação.

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Erin Gruwell não só propôs aos alunos que escrevessem um diário contando suas histórias de vida – que, depois, gerou um livro –, mas usou o registro de outros autores pra despertar, nos alunos agressivos, sofridos e desinteressados, a empatia pela dor do outro como ferramenta de reflexão e cura para suas próprias mazelas. A escrita, decerto, carrega registros que nos colocam em contato com as experiências alheias. Que vão ser o gatilho, muitas vezes, pra tirar debaixo do tapete nossas mágoas, rancores, medos. Liberta, cura, é potente. Gruwell faz isso, nesse papel tão fundamental da confiança e da inspiração no mestre.

Onde assistir:

Escritores da Liberdade, de Richard LaGravenese (2007): Netflix

 

Suzana Vidigal é tradutora, jornalista e cinéfila. Gosta de pensar que cada filme combina com um estado de espírito, mas gosta ainda mais de compartilhar com as pessoas a experiência que cada filme desperta na mente e na alma. Em 2009 criou o blog Cine Garimpo (www.cinegarimpo.com.br e @cinegarimpo) e traz, quinzenalmente, dicas de filmes pra saborear e refletir. 

 

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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