Crianças precisam se sentir seguras

  • Thais Basile
  • FOTOGRAFIA: Amy Humphries | Unsplash

Podemos ajudar as crianças a lidarem com as emoções e explicar o que acontece para que ganhem segurança emocional

Quando eu li pela primeira vez que a criança era um ser egocêntrico, eu não entendi muito bem. Quando ouvimos algo assim, tendemos a confundir o egocentrismo com egoísmo, e isso pode acabar reforçando crenças já tão presentes na sociedade sobre como a criança é manipuladora, sobre como é melhor não dar tanto colo que eles logo viciam e prejudicam nossa vida e nossa rotina, sobre como eles choram “só” pra ter atenção, sobre como não querem (e não que não conseguem) dividir os seus brinquedos e precisam ser obrigados a isso.

Posso dar um exemplo do que é egocentrismo: é acreditar que a lua nasce PARA EU IR dormir, e não que eu vou dormir quando a lua aparece. Como então entender essa fase que todos nós passamos, sem rotular nem prejudicar a criança?

A criança entende tudo que acontece ao redor como se estivesse relacionado a si. Se os adultos brigam muito, ela pode achar que é por causa dela, que ela fez algo errado. 

Se estão tristes e não explicam a ela que tristeza é normal, que é algo que todo mundo sente e que logo vai passar, ela vai achar que causou aquela emoção nos pais, mesmo que a tristeza tenha a ver com um luto ou alguma situação que não tenha nada a ver com a criança.

Todas as crianças vão passar por essa fase, mas a nomeação e explicação das situações para a criança pode evitar maiores feridas emocionais. 

Sempre ouvimos que não se pode conversar de tudo com as crianças, que elas precisam ser preservadas, e isso é verdade somente em partes: desabafar e jogar os nossos problemas para a criança é muito diferente de explicar uma situação numa linguagem que ela entenda, livrando a criança de se sentir responsável por tudo que acontece ao seu redor, ensinando através dos nossos atos a se autorregularem. 

A criança vai aprender a dividir, a entender o mundo, a lidar com suas emoções, a se colocar no lugar dos outros, ao seu tempo, e PRINCIPALMENTE observando o modelo de atuação dos adultos ao redor dela.

Crianças precisam se sentir seguras em cada fase de desenvolvimento e nós somos particularmente bons em dar segurança física a elas, conforto, principalmente. Mas também é importante que pensemos em segurança emocional, onde os adultos são os protagonistas dessa difícil arte que é educar conforme vão, também, se reeducando.




Thais Basile é mãe da Lorena, palestrante e consultora em inteligência emocional e educação parental, eterna estudante. Apaixonada por relações humanas e por tudo que a infância tem a ensinar. Compartilha um saber para uma educação mais respeitosa no @educacaoparaapaz. Escreve nesta coluna às segundas-feiras.

 


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