Conversas poderosas enriquecem a vida

  • Luana Fonseca
  • FOTOGRAFIA: Priscilla du Preez | Unsplash

As conversas têm o poder de conectar, curar e sustentar o nosso viver com os outros. Conversas pendentes limitam a possibilidade de vivermos uma vida mais plena.

A mensagem dizia assim: “Está tudo bem por aí… a Eva? As rotinas?”. Era a querida Margot Cardoso, que tive a alegria de conhecer através de Vida Simples, aprofundando uma conversa comigo. A princípio poderia ser uma simples pergunta, para a qual, muitas vezes, damos aquela famosa resposta pronta: “Tudo bem!”. E assim, guardamos somente para nós, tudo que vai além dessa declaração automática e rasa. Mas eu escolhi fazer diferente. Fiquei um tempo com a pergunta. Conectei-me verdadeiramente com o que estava sentindo naquele momento. E respondi a partir desse lugar: presente, honesto e vulnerável. Que mostra o que vai dentro. Que encontra o outro.

As mensagens que trocamos a seguir foram como um abraço. De mãe, para mãe. Onde compartilhamos nosso sentir materno daquele momento. Que revelava a maneira como cada uma de nós observava a fase que estávamos vivendo. Para mim, uma troca preciosa e delicada, que me fez sentir como se estivéssemos bem pertinho uma da outra. E não a léguas de distância, como de fato estamos – uma em Portugal, a outra na Tailândia.

Esse é o poder que as conversas têm. Que vai muito além da troca de palavras entre as pessoas. Elas têm o poder de gerar conexão, de criar laços, de sustentar o nosso viver com os outros. E de curar! Curar a dor que, por vezes, permeia nossos dias. Não é à toa que durante a pandemia tanta gente adoeceu. Separadas do outro, com conversas limitadas… o vazio chegou, a dor chegou. A vida mudou de cor.

Conversas pendentes

Álvaro González-Alorda, autor de El Talking Manager, diz que impactamos nossas vidas com as conversas que temos e que não temos. E nesse momento complexo que ainda estamos enfrentando, de pandemia, isso me faz pensar especialmente nas conversas que não temos tido. Aquelas que estão pendentes e que se limitam a viver em nosso mundo interior, diminuindo a plenitude das nossas relações. E, consequentemente, da nossa vida.

Nos atendimentos terapêuticos que faço, esse é um tema que aparece com frequência. A necessidade humana de abrir conversas que possam cuidar do que está vivo dentro de nós. E, ao mesmo tempo, a dificuldade que algumas pessoas sentem de encontrar esses espaços. Mesmo com as pessoas mais próximas, como o marido ou os filhos, por exemplo. Isso acontece porque em nossa sociedade existem poucos espaços onde possamos aprender a conversar. O fato de podermos falar, não significa que temos as habilidades necessárias para criarmos e sustentarmos campos de conversa. Especialmente para tratarmos de assuntos que nos importam, nos inquietam, ou que julgamos serem temas sensíveis.

Conversas do nosso mundo interior

duas pessoas conversando num café

“Impactamos nossas vidas com as conversas que temos e que não temos. Crédito: Priscilla Preez | Unsplash

Existem ainda as conversas que precisamos ter com nós mesmos. E que, para algumas pessoas, pode levar anos até que tenham coragem de enfrentá-las. Isso porque as conversas podem abrir ou fechar possibilidades na nossa vida. E isso pode ser muito assustador.

Há poucos meses, lancei um livro chamado PODE SER MELHOR, e tenho recebido alguns comentários, como: “essa eu vou pular”. Ou, “parei de ler aí”. E ainda, “não quero responder as perguntas porque tenho até medo das respostas”. O que tem gerado esse tipo de reação, são as inúmeras perguntas que trago no livro. Reflexões que convidam o leitor a empreender sua própria viagem interior. Essas perguntas podem abrir espaços de conversa, a princípio, dentro de nós, e nos convidam a ação. Quando sentamos para ter uma conversa séria conosco, isso pode nos tirar da zona de conforto na qual, talvez, estejamos. E é claro que pode sim, ser difícil e incômodo. Eu bem sei! Mas acredito também, que pode ser absolutamente transformador e enriquecedor.

Perguntas poderosas geram conversas significativas

Por isso, enquanto você lê esse texto, te convido a parar uns minutos e refletir sobre as questões a seguir. Você tem conversas pendentes? Quais são elas (conversas para colocar limites, para fazer pedidos, fazer uma reclamação, pedir perdão ou perdoar, declarar gratidão…)? Com quem você precisa ter essa conversa ou conversas? Você se sente capaz de sustentar essa conversa? Precisa de ajuda? Movido por qual emoção você escolhe ter essa  conversa?

Quando conversas importantes são caladas, isso empobrece nossa vida. Porém, quando conseguimos abri-las e sustentá-las (por mais que nos custe), podem trazer mais luz para a nossa existência. E eu desejo a todos nós, uma vida muito mais iluminada! Repleta de conversas potentes e significativas, que cuidem daquilo que nos importa.


LUANA FONSECA é coach ontológica e acredita muito no poder das conversas. Ela faz parte de um grupo de 40 coaches voluntários, que oferece atendimento gratuito para pessoas que precisam de um espaço de conversa e acolhimento. Esse projeto nasceu no início da pandemia e já “abraçou” aproximadamente 700 pessoas.  (www.conversasemrede.com)

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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