Como quebrar padrões na busca por um relacionamento amoroso

  • Keila Bis

Uma repetição de escolhas erradas pode impedir a realização desse desejo. Inspire-se nestas reflexões para cessar a autossabotagem.

 

Dentro do amplo campo da vida amorosa, há um ponto muito recorrente que vale a pena refletir sobre ele. É a incessante repetição de escolhas que contradizem o real desejo. E aqui estou falando da vontade de querer ter um relacionamento, mas investir em pessoas não disponíveis, que não estão a fim de namorar, por qualquer motivo.

Durante anos, essa escolha vai sendo feita, o que gera grande sofrimento. A cada envolvimento que acaba num piscar de olhos, é como se “um punhal tivesse sido cravado no meu peito”, muita gente diz. Parecia que o outro estava interessado, mas, de repente, já não estava mais.

É comum ver pessoas que enfrentam constantemente esse tipo de situação passar a achar que têm algo de errado com elas, que não são interessantes, que nasceram para ficar só, que tem um mal que carregam dentro de si… Tudo besteira. Não há nada de errado com elas.

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O que ocorre, na verdade, é que nunca pararam para compreender sobre o por que aquilo vem acontecendo. Só repetem as mesmas escolhas e colhem as mesmas consequências.

Aprenda a fazer a escolha certa

Para furar uma repetição, é imprescindível que se reflita. E, se tratando dessa questão, é necessário pensar que quando há o desejo de ter um relacionamento, é fundamental encontrar alguém que queira o mesmo. Claro que é preciso outras coisas (o que pode ser assunto para uma outra coluna), mas essa é essencial.

Se você escolhe sempre quem só está a fim de um sexo casual, de um ficar somente por um curto período de tempo, está óbvio que você vai sofrer. Os interesses são diferentes.

Mas aí, se pensa: “e se ela mudar de ideia e ver que eu sou um ser incrível e quiser ficar comigo?”. Sim, com certeza, isso pode acontecer, mas você vai mesmo querer investir tanta energia nessa espera? Se quiser, ótimo, banque sua escolha e as consequências. Ou, vire essa página e se abra para a próxima.

O amadurecimento que só faz bem

É comum ver também uma ingenuidade relacionada a esse padrão de comportamento. A pessoa conhece alguém, que demonstra interesse nela, e rapidamente deduz: “pronto, encontrei a minha alma gêmea. Eu gostei dele, ele gostou de mim, nós vamos ficar juntos para sempre”. Ora, ora, ora, não é bem assim, não é mesmo? Não confunda atração com amor, sexo com querer namorar.

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Faz parte do momento inicial, quando se conhece alguém que lhe desperta algo, o jogo de sedução. Elogiar, ser atencioso… Mas é só isso. Só isso no sentido que essa paquera não quer dizer que ela está lhe pedindo em namoro, que quer casar com você.

Pode-se pensar neste momento: “já conheci casais com os quais aconteceram exatamente assim. Se conheceram e estão juntos até hoje”. Mais uma vez, sim, pode acontecer, mas são casos raros.

Na maioria das vezes, somente se sabe se a outra está disponível para um relacionamento com o passar do tempo. Enquanto isso, é melhor não tirar nenhuma conclusão precipitada.

Dizendo adeus ao sofrimento

Dentre as reflexões para sair dessa repetição que gera sofrimento, tem uma que considero muito linda: o que o sacia verdadeiramente? Se você procura por um relacionamento é porque, no mínimo, tem algo dentro de si que deseja viver uma experiência a dois com tudo o que isso comporta. Ou seja, a relação casual não o interessa, não o sacia. Então, foque e sustente o seu desejo.

E sustentar o desejo não significa que você vai conquistá-lo imediatamente. Significa que você vai se frustrar e vai se animar novamente, que vai cair e levantar, que vai querer desistir e depois vai renovar a esperança e a fé. É melhor esse percurso do que ficar se alimentando de vazio, de dor, de rejeição.

Por falar em dor, vazio, aqui vai algo transcendental. Quando se está abraçado com uma repetição que gera sofrimento, isso revela que algo dentro do psiquismo pulsa em direção ao mal-estar. Sabe quando alguém diz: “parece que você gosta de sofrer”? Pois é, por mais estranho que possa parecer, tem algo do mundo interior que quer sofrer.

Perceba essa força dentro de você e dê um freio nela, fazendo escolhas compatíveis com o seu desejo. Sustente o seu desejo. Se é o de ter um relacionamento, banque. Não há garantias, mas, com certeza, você terá aprendido a se desenlaçar da dor e a se abrir para aquilo que realmente lhe preenche.

 


KEILA BIS é psicanalista e jornalista (kbismorais@yahoo.com.br) que adora compartilhar segredos do autoconhecimento para um viver sem neuras. Parar de repetir um padrão de sofrimento em honra de um desejo é um deles.

*Os textos de colunistas não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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