Círculo de mulheres: por que precisamos tanto umas das outras?

  • Luisa Alves

É muito importante, nas diferentes fases da vida, estarmos em uma boa redes de conexões. Isto pode ser útil não só para os momentos de dificuldade, mas para nossa evolução coletiva

 

Nestes últimos meses você já deve ter ouvido em algum lugar ou mesmo percebido na sua experiência de isolamento: seres humanos são seres sociais. Precisamos do contato humano pela nossa saúde mental, mesmo pela elaboração das nossas sensações. Quando nos sentimos vulneráveis isso se faz ainda mais necessário, não à toa vemos grupos de apoio às mais diversas vulnerabilidades. Para mulheres se tornam mães isso não é diferente. A maternidade, minha área de atuação profissional, é um caminho de transformações definitiva para a vida e esse processo impacta diretamente nos mais diversos e inéditos sentimentos. Além disso, a maternidade coloca as mulheres à frente de situações sociais totalmente peculiares e o outro como prioridade maior do que elas mesmas. Muitas vezes tudo isso culmina em uma sensação de solidão completa.

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Se você não é mãe, imagine a situação de acampar e permanecer pelo menos uma semana longe de qualquer contato humano e precisando manter a doação plena do seu tempo a uma criança. Isso pode ser semelhante ao cenário do puerpério, fase comum às mulheres recém paridas. De uma hora pra outra, mesmo que tenhamos companheiros presentes, nossas vidas ganham uma rotina totalmente diferente do que já tenhamos vivido, fora todos os aprendizados sobre cuidado, segurança e alimentação de um ser totalmente dependente da gente. Essa grande sacudida em nossas vidas.

Mulheres todas no mesmo patamar

O tempo vai passando, os filhos crescem, e por mais que esposas compartilhem com seus companheiros suas inúmeras experiências e seus sentimentos com as crianças, consigo e com o mundo, há coisas que só outra mãe com vivências parecidas, pode entender. Lendo dessa maneira, você pode até entender que ter uma amiga mãe é a grande saída. E é um excelente caminho. Mas cada vez mais, percebo a necessidade de mulheres vivenciarem a experiência de círculos de compartilhamentos de histórias e aprendizados sob mediação. Estando em uma roda empática, com acordos respeitosos e atentos, lidamos com vivências potentes, mesmo que um pouco diferentes, mas que já agregam às nossas vidas de algum modo.

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Simbolicamente num círculo, nenhuma é melhor que a outra e estamos no mesmo patamar. Além disso, sentimos a existências com seus ciclos intermináveis. Essa rede de fortalecimento é ancestral, mesmo sem tantas reflexões sobre a estruturação de um círculos, mulheres se reúnem desde muito tempo. O jogo de ouvir, falar também pode ser um aprendizado incrível para nosso exercício de entendimento sobre nós mesmas. Em muitos, há objetivos em comum tratados nos primeiros encontros para cada roda, o processo evolutivo dessas mulheres é bonito de se ver. Alguns grupos terapêuticos usam de artes plásticas, de dança, do esoterismo, de livros, de pautas sociais, da ancestralidade, etc, como ferramentas que norteiam essa evolução. 

A importância da união de mulheres

Em um grupo bem mediado, percebemos que não há perfeição, que temos inúmeras questões de autoaceitação em comum ou que vamos errar como mães, e que está tudo bem. Que temos anseios, que sofremos por situações parecidas, inclusive diante da sociedade. Precisamos falar de problemas, mas também necessitamos de soluções e esse chegar a outro lugar é fundamental. Abrir espaço na mente juntas para juntas também preenchermos com formas de esperança e de encontro com nossas forças. Vemos uma evoluindo em suas escolhas e percebemos, que na nossa individualidade, também podemos. E nesse caso, o que pode dar certo para uma nem sempre é a saída para outra. 

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Enfim, pelas minhas experiências mediando rodas, percebo cada vez mais as especificidades e importância dessas reuniões entre mulheres. Convido você, mulher, a observar em suas amizades ou nos grupos de app em que foi incluída se nos diálogos existe a empatia e a escuta que um grupo de pessoas com experiências semelhantes à sua poderia proporcionar. É muito importante, nas diferentes fases da vida, estarmos em uma boa redes de conexões. Isto pode ser útil não só para os momentos de dificuldade, mas para nossa evolução coletiva.

 

Luísa Alves é relações públicas, produtora cultural, facilitadora e mentora de mães. Iniciou seu trabalho com maternidade e infância, através do conteúdo digital com o Guia Fora da Casinha. Hoje fala de maternidade, autoconhecimento, carreira e empreendedorismo. Nesta coluna, quinzenalmente, traz reflexões sobre visibilidade e fortalecimento de mães. Seu instagram é @euloooalves

 

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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