Choro é fortaleza

  • Thais Basile

Choro é comunicação, e se barramos a comunicação da criança, deixamos ela se sentindo absolutamente sozinha. É isso que queremos?

 

Repare no discurso das pessoas quando veem um adulto sofrendo, chorando, triste. Todas as frases que as pessoas usam: “mas não precisa ficar assim”, “olha pro lado bom”, “fique forte”.

Tudo que falamos enquanto adultos sobre o sofrimento e o choro, vem de nossas dores internas infantis que foram caladas, reprimidas, negligenciadas. Os adultos da geração anterior também foram muito silenciados em suas emoções, que basicamente não eram levadas em consideração. O choro era considerado sinal de fraqueza, de descontrole, e precisava ser combatido. No nosso coração e na nossa lembrança não existe registro de acolhimento. De se sentir forte e seguro ao colocar a dor pra fora. Pelo contrário, nosso registro ao chorar é de vergonha, culpa. Fracos.

Choro é comunicar

Quando adultos, passamos por situações onde nossos filhos irão demonstrar suas dores através do choro, e não vemos outra alternativa a não ser calar nossos filhos, porque esse é o registro que temos dentro de nós. Dores e neuroses sendo passadas adiante, sem que nos atentemos, mesmo com a melhor das intenções.

Choro é comunicação, e se barramos a comunicação da criança, deixamos ela se sentindo absolutamente sozinha. É isso que queremos? Não se trata de ceder à pedidos das crianças para sanar o choro, se trata de deixar a frustração ocorrer e ajudar a criança a passar por ela.

Mas, calma, pois é possível ressignificar. Como você lida com tuas dores hoje? Como gostaria de lidar? Sente que botar pra fora te alivia? Por que não deixar nossos filhos fazerem o mesmo? Assim criaremos novos registros, muito mais saudáveis emocionalmente, em sua memória e coração.

 

Thais Basile é mãe da Lorena, palestrante e consultora em inteligência emocional e educação parental, eterna estudante. Apaixonada por relações humanas e por tudo que a infância tem a ensinar. Compartilha um saber para uma educação mais respeitosa no @educacaoparaapaz. Escreve nesta coluna mensalmente.


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