Autorresponsabilidade e parentalidade

  • Thais Basile
  • FOTOGRAFIA: fizkes | iStock

Estamos acostumados a não ter autorresponsabilidade e culpamos o outro, que nos tira do sério, mas filhos são como faróis a mostrar aquilo que nos incomoda dentro da gente

A vida inteira ouvimos que está com o outro a responsabilidade de nos fazer ou não feliz, de nos fazer perder a cabeça de raiva ou de qualquer outra emoção que a gente sinta. Foi a pessoa que me tirou do sério, foi o filho que me irritou, foi o trânsito que me fez chegar em casa bravo, foi o marido que me deixou triste, certo?

Pessoas e situações são gatilhos para coisas que já estão em nós. Quando eu internalizei isso – porque saber algo na teoria não é a mesma coisa que realmente entender aquilo – muita coisa mudou dentro de mim, e principalmente na minha relação com a minha filha.

Tem uma frase que diz assim: “Incomodou? Doeu? Leva pra casa que é teu”. É importante parar para pensar o porquê de nos incomodarmos com as opiniões e críticas de algumas pessoas e para outras não darmos a mínima.

Bem como, é crucial entender por que em alguns dias a criança age igual a outros, e num dia saímos do sério, no outro não. Assim, faz-se necessário olhar para onde dói, porque ali estão pistas de coisas que precisamos elaborar, curar.

Em geral, o filho que mais nos tira do sério é aquele que aponta para coisas em nós que precisam ser olhadas, cuidadas, trazidas para a consciência. Relações, situações e pessoas próximas de nós oferecem essas oportunidades diárias, filhos então, são experts nisso. Mas reagimos, nos defendemos, culpamos o outro. Não nos atentamos que não está com ele nem o poder de nos fazer feliz, nem o poder de nos deixar mal.

O caminho diário de aprendizado e da nossa evolução materna e paterna precisa passar pelas nossas dores, não existe luz sem sombra. Que saibamos agradecer essas oportunidades, mesmo que nos doam. 

Que saibamos olhar pra dentro, que é onde está o caminho verdadeiro pra felicidade e para o entendimento de quem somos e de quem podemos ser. Nossos filhos serão nossos faróis nesse caminho, ora tormenta, ora calmaria. E, felizmente, sempre cheio de descobertas.

 

Thais Basile é mãe da Lorena, palestrante e consultora em inteligência emocional e educação parental, eterna estudante. Apaixonada por relações humanas e por tudo que a infância tem a ensinar. Compartilha um saber para uma educação mais respeitosa no @educacaoparaapaz. Escreve nesta coluna às segundas-feiras.

 


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