Como aprendi a lidar com sentimentos e emoções desagradáveis

  • Mariana Nahas

Conecte-se com o amor. Com os sentimentos e emoções. No momento em que nos conectamos ao amor, nos lembramos que não estamos mais sozinhos.

 

Hoje quero falar sobre sentimentos: tristeza, alegria, frustração, prazer, confiança, ansiedade, angústia, apatia… São tantas emoções e sentimentos que nos assolam ao longo da vida, não é mesmo? Eles vêm sem pedir licença e, por vezes, temos a sensação de que não querem ir embora. Ou parecem deixam claro que só vão embora quando querem, como se fossem uma entidade à parte de nós.

Sentir-se refém da tristeza, da solidão, da rejeição ou frustração é muito dolorido. Para que você possa entender melhor como lidar com essa enxurrada de sentimentos ao longo da vida, às vezes, até mesmo ao longo do mesmo dia, eu gostaria de começar trazendo um conceito lindo que faz parte da minha jornada de conexão e expansão da consciência: a não dualidade.

A verdadeira condição humana é una

Esse conceito vem do Advaita Vedanta, um sistema filosófico que está presente em várias tradições asiáticas, como Hinduísmo e Budismo. Assim como na espiritualidade moderna, como o Um Curso em Milagres, objeto do meu estudo nos últimos 4 anos.

A não dualidade significa “não dois” ou indivisível, afirmando que a verdadeira condição da natureza humana é UNA. Mente e espírito, homem e Deus, alegria e tristeza como um. Não há separação, nem dicotomia. Portanto, entendemos que a causa da dor não é o sentimento em si, pois tudo é parte de quem somos, mas a resistência a ele.

Outra causa da dor é a insana ideia de que temos que estar alegres, confiantes e felizes o tempo todo, custe o que custar. Partimos da equivocada ideia de que a tristeza não é parte de nós, mas que ela vem a nós. A dor e o cansaço que sentimos em momentos difíceis vem do esforço constante em nos sentirmos alegres e energéticos. Vem do enorme esforço em controlar o mundo.

Controle é frustração! Resistência é dor

Tudo começa quando não nos permitimos entrar em contato com o momento presente quando ele é diferente do esperado pela mente. E ai, desta forma, resistimos. Nosso corpo reage e sentimos diversas emoções que são traduzidas em sentimentos ambíguos e desconfortáveis. E como tememos esses sentimentos…

A verdade por trás de tudo isso é que temos medo de sentir. Temos pavor de sentir solidão, fraqueza, tristeza, impotência e muitos outros sentimentos e emoções. A não dualidade nos traz a ideia de que precisamos conciliar as duas partes: a alegria e a tristeza, a fraqueza e a força.

Os opostos estão unidos em sua natureza divina. Um não existe sem o outro. A alegria não existe sem a tristeza e vice versa. Ambas são partes de nós e estão a serviço do nosso aprendizado. Elas se alternam e se expressam ao longo da vida por meio de diferentes gradientes do mesmo sentimento, nos apontando quando estamos ou não alinhados ao fluxo do Universo. Não há como ter apenas um sentimento e não seu oposto. Pelo menos até que desperte para a sua Consciência Una.

Nosso aprendizado passa pela necessidade de acolhermos todos os sentimentos como parte essencial de quem somos. Quando passamos a olhar pra eles como nossos mestres e a base do aprendizado e transformação que precisamos passar ao longo da vida. Só essa pequena mudança de mentalidade já irá transformar profundamente sua relação com a ilusória dualidade dos seus sentimentos.

Portanto, isso irá te ajudar a encontrar disposição e interesse para entrar em contato com o seu universo interno. Conciliar o que está dentro com o que está fora e não mais sufocar a tristeza com um sorriso forçado.

Sentimentos e emoções, no estado de espírito, precisam estar alinhados!

Vibrar alto não necessariamente significa vibrar na alegria o tempo todo, mas sim vibrar no amor! Consciência é resgatar seu poder de escolha. Consciência é escolher o amor ao invés do medo. Estar em alinhamento com a sua alma significa escolher o amor ao invés do medo de encarar seu momento presente e seu sentimento.

Se a tristeza, a solidão, a frustração e a raiva baterem na sua porta, não tenha medo. Seja amor e abra a porta, acolha. O amor que me refiro, não é o amor dual, entre duas partes, mas sim o amor Uno que traz, entre outras energias, a energia do arquétipo da grande mãe. É aquela que acolhe, nutre, cuida, envolve, confia e transmuta.

O amor confia na grande ordem divina, na benevolência e inteligência por trás dos ciclos da vida. Acredita no ritmo perfeito do Universo e, com isso, se entrega a ele, sem resistência. O amor sabe que assim como os sentimentos e emoções vieram, eles vão no seu tempo. Mas, eles vão no tempo divino, e só se tiver a coragem de olhar pra ele com amor.

Conecte-se com o amor. Com os sentimentos e emoções

No momento em que nos conectamos ao amor, nos lembramos que não estamos mais sozinhos. Somos a unidade, essa grande rede cósmica. Somos a própria inteligência divina em ação e, portanto, confiamos no processo e acolhemos o momento presente e os sentimentos.

Que esse texto te ajude a despertar a fé, a confiança e o amor pela sua sabedoria divina. Que esse texto transcenda estas palavras e desperte sua alma para a unidade que nunca deixou de SER.

Namastê! Sat Nam. Amém. Oxalá. Shalon. Salaam. Aleikum

 

Mariana Nahas é coach de vida, terapeuta integrativa, facilitadora de meditação e idealizadora do Programa de Desenvolvimento Pessoal Ser Humano. Acredita que o autoconhecimento e a autocompaixão são as chaves para despertar em nós o ser de infinitos recursos internos que somos enquanto seres conscientes. Escreve quinzenalmente no Portal Vida Simples. Seu instagram é @mariananahas_.


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