Alimento e autocuidado no café da manhã

  • Lu Gastal
  • FOTOGRAFIA: Dayne Topkin | Unsplash

O café da manhã é um ritual, um encontro, um acontecimento com conversas boas, papos difíceis, acertos e planos.

Tinha planos de cafés sem pressa, com mesa posta, toalha de florzinha e guardanapo bonito. Poderia até ser numa toalha de xadrez miúdo com guardanapo de bolinhas. A questão é que a preguiça e a comodidade eram a desculpa ideal pra abafar esse querer. Na verdade o desejo dos cafés sem pressa, com mesa posta, toalha e guardanapos fofos eram sopros inquietos lembrando que relações pedem zelo, mas à época não entendi.

Como poetizou Renato Russo, temos nosso próprio tempo, e o meu tempo de autocuidado e olhar ao que fazia sentido chegou. Um tanto tardio, mas no tempo que a vida me permitiu recebê-lo. Os cafés sem pressa, com mesa posta, toalha de florzinha (podia ser xadrez) e guardanapos bonitos chegaram para comprovar que o cuidado alimenta a alma!

Café sem pressa

O sofá que me perdoe, mas para mim a mesa é o coração da casa e merece a toalha mais bonita que tiver na gaveta. É nela que acontecem as conversas boas, os papos difíceis, os acertos e os planos. É nela que escutamos aqueles com quem dividimos a vida. E, atualmente, é nela que  realiza-se um momento diário precioso aqui de casa, o café sem pressa!

Eu sei, você sabe, todo mundo sabe: costumamos idealizar a grama do vizinho sempre mais verdinha. E aqui já me adianto: os cafés aqui de casa são compostos pelos ingredientes mais simples e corriqueiros da vida – café preto, alguma fruta e pão com manteiga nunca faltam. Às vezes um leite batido e alguma geléia gostosa. Mas sabe o que eles têm de mais precioso?

Incorporar o café nas minhas manhãs foi um presente, mais do que uma rotina que fazemos todos os dias em sequência. O ritual foi uma maneira de me conceder cuidadosos gestos, desde arrumar a mesa, preparar o alimento, e logicamente, guardar tudo em seu lugar e lavar a louça (vida real, né!).

Nos cafés sem pressa pode ter notícia rolando baixinho na tv, mas celular na mão é proibido.Uma infração gravíssima, tipo 7 pontos na carteira, pois a vida nos pede olhares atentos aos pequenos e importantes prazeres da vida, não é mesmo? E o programa matinal que por aqui ganhou status de maior importância do dia permite trajes que traduzam bem-estar e aconchego – tipo pijama ou aquela roupa gostosa proibida de sair à rua! Do jeitinho que eu gosto!

Beijos meus!

P.S.1: apenas para contextualizar, tenho um relacionamento sério com guardanapos, sem eles mal sei como portar as mãos. Hábitos, dirão alguns, manias dirão outros. A questão é que os detalhes me fazem bem. Os de pano me encantam mas os uso para embrulhar marmitinhas e presentes, gosto mesmo dos descartáveis, de papel, coloridos que adoro garimpar por aí.

P.S.2: Renato Russo negava ser poeta, dizia-se letrista. Não importa, suas canções há anos habitam meu coração!


LU GASTAL trocou o mundo das formalidades pelo das manualidades. Advogada por formação, artesã por convicção. É autora do livro Relicário de Afetos (Editora Satolep Press) e participa de palestras por todos os cantos. Desde que escolheu tecer seus sonhos e compartilhar suas ideias criativas, não parou mais de colorir o mundo ao seu redor.

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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COMENTÁRIOS

  • Clarissa

    Também amo cafés da manhã. Fazem parte de histórias marcantes em minha vida.

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    • Vida Simples

      É uma delícia, né Clarissa?! Fiquei até curiosa sobre essas histórias marcantes! Se quiser compartilhar, adoraria saber 🙂

      Responder

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