Alimente sua criatividade em 2020

  • Tiago Belotte

Nada de novo será criado se você repetir os mesmos caminhos que já percorreu. Como diria a velha máxima dos colecionadores de figurinhas de chiclete: figurinha repetida não completa coleção.

 

Por que o Papai Noel insiste em usar roupas para neve nesse sol escaldante? Por que toda receita leva passas na segunda quinzena de dezembro? Quem foi a primeira pessoa a contar a piada do pavê? O que fazer no Réveillon sem precisar dar um rim em troca? A gente se pergunta tanta coisa nessa época, mas poucas vezes nos questionamos o que nos trouxe algo novo, provocou um suspiro ou mudou nossos pés de lugar. Quem foi que nos presenteou com mais repertório, tão importante para nosso processo criativo? Sim, caso você não saiba, as ideias não surgem do nada, elas são a conexão de duas ou mais coisas, antes desconectadas, mas que você já carregava aí dentro.

É uma espécie de coleção de itens que a princípio não fazem muito sentido entre si, eu que nem precisavam mesmo ter sentido algum quando foram coletados. Para alimentar sua criatividade, todo dia você coleta algo ou deveria. O tamanho da coleção importa, mas a variedade é ainda mais importante. Quanto mais distantes e estranhos forem os itens, uns para os outros, melhor. Daí, um dia, você precisa ter uma ideia e mexe na prateleira da coleção. Faz combinações e voilá: algo criativo e quem sabe, inovador.

Vamos percorrer caminhos diferentes

Não sou fã da expressão “pensar fora da caixa”, porque parece que é uma ação possível num instante, enquanto ela é consequência exatamente da diversidade das suas referências. Só consegue esse feito, quem sai com frequência para explorar e coletar coisas em territórios desconhecidos.

Ver um filme de estilo diferente do que vê, ouvir um podcast sobre um tema que até então não te despertou tanto interesse, ir ao museu em uma exposição de artista que nunca ouviu falar, ler um livro que pegou ao acaso na prateleira da livraria. Nada de novo será criado se você repetir os mesmos caminhos que já percorreu. Como diria a velha máxima dos colecionadores de figurinhas de chiclete: figurinha repetida não completa coleção.

Se quiser, no próximo ano, inovar, primeiro, é preciso abrir espaço para o novo.

 

Tiago Belotte é fundador e curador de conhecimento no CoolHow – laboratório de educação corporativa que auxilia pessoas e negócios a se conectarem com as novas habilidades da Nova Economia. É também professor de pesquisa e análise de tendências na PUC Minas  e no Uni-BH. Seu instagram é @tiago_belotte. Escreve nesta coluna quinzenalmente, aos sábados.


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