Aceitação radical

  • Ana Raia

Por que a negação dos eventos é a pior saída?

 

Sou daquelas que pensa muito, analisa muito. Se por um lado saio de uma vida superficial, sinto mais, e vivo com mais consciência; por outro lado, visito lugares profundos que não são leves nem fáceis de desvendar. Nesses tempos, com tantas mudanças, esse hábito aumentou. Tenho pensando muito sobre a vida, sobre meu propósito, sobre a maneira que quero deixar o meu legado, sobre a educação dos meus filhos, Lucas e Stella, sobre o meu estilo de vida — e é claro, sobre o amor.

A lista é longa, as incertezas que rodeiam o meu cotidiano me estimulam a questionar basicamente tudo.

Em minhas indagações diárias, me pergunto o que me faz feliz e o que me faz sofrer? Sim pois o sofrimento também acontece por aqui. Cheguei a conclusão que são minhas expectativas, a vontade de que os acontecimentos em minha vida aconteçam da forma como eu imaginei.

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Tenho noção da imprevisibilidade da vida e que eventos inesperados estão presentes em meu script. A vida acontece sem nos avisar. É assim comigo e dever ser assim com você também. Experiências inéditas vem do além, e sem aviso, nos pegam despreparadas. A pandemia está aí como prova. Mas ainda assim, crio expectativas. Espero. Desejo.

Não acho que existe uma vida sem expectativas, pois temos o dom da imaginação e do sonhar, características únicas do ser humano que nos motiva e nos impulsiona a evoluir. Mas é preciso aprender a lidar com a realidade principalmente quando o roteiro que desenhamos para nossa vida não sai como imaginamos.

Aceitar a realidade

Nesses últimos 5 meses, dei workshops online, apresentei lives, fiz atendimentos individuais de coaching e pude constatar que as pessoas que estão sofrendo mais com a realidade são aquelas que se recusam a aceitá-la. Resistir aumenta a dor. Aceitar permite a possibilidade da cura da situação. Se você não encara a realidade também não tem a chance de transformá-la em uma realidade melhor. Assim, a aceitação não pressupõe a estagnação, pelo contrário, é o caminho que gera movimento em direção à solução.

Nesse fim de semana fiz um curso muito bacana com o Jorge Grimberg, chamado “Encontre a sua voz” (super indico), e escutei pela primeira vez sobre o conceito “aceitação radical”, desenvolvido por Marsha M. Linehan e difundido por Tara Branch, ambas psicólogas.

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Trago o termo para a coluna porque se refere à importância de abandonar nossas expectativas e aceitar a realidade. Não como uma forma de resignação, e vitimização, mas como o primeiro passo em direção à mudança. É sobre enfrentar o que a vida nos traz de forma inteira e sem resistências ou negações. Pois se não há resistência — que traz dor, julgamentos e críticas — existe a chance da conexão de fato com o evento em questão. E nesse lugar aumenta a possibilidade de se encontrar soluções criativas.

Vamos experimentar?

Ao meu ver, aceitar as adversidades e o ineditismo da vida não deve ser visto como uma forma de derrota, mas pelo contrário, deve ser visto como um ato de coragem ao optar viver de coração aberto, dizendo sim à vida do jeito que ela se apresenta.

Viver dessa maneira é viver comprometida em trazer o seu melhor sempre, em qualquer circunstância. É viver com autorresponsabilidade ao escolher a proatividade e o protagonismo ao invés da reatividade e da vitimização.

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E você? O que pensa sobre isso? Escolhe uma vida na resistência e negação?  Ou uma vida de peito aberto, aceitando scripts inesperados, mas comprometida em aperfeiçoar-se e fazer o melhor possível para lidar com o que a vida lhe apresenta. Afinal, para que que estamos aqui? Somente passear e usufruir? Ou também para aprender e crescer em direção a nossa melhor versão? Topa experimentar a aceitação radical?

 

Ana Raia trabalha há mais de 15 anos com desenvolvimento humano. Ministra cursos particulares e coletivos, palestras e workshops. É estudiosa das ciências humanas e é tão humana quanto você. Seu Instagram é @anaraia. Escreve neste espaço mensalmente, na terceira terça-feira do mês.

 

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.

 


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