A casa como um reflexo de nós mesmos

  • Clô Azevedo

Temos que buscar o que funciona pra gente. E apesar de tudo isso, acredito que dentro de cada um de nós existe o desejo de sermos nós mesmos

 

Precisamos começar a adotar o fato de que casas de vitrine, feitas por decoradores em que a reprodução de tendências é o costume, certamente não nos trará reconhecimento de nós mesmos. Um lugar especial onde a gente mora e quer se enxergar nele. Um lugar onde precisamos juntar nossas rotinas e necessidades harmonizando e organizando espaços que também nutrem a nossa alma.

Pense nesse momento importante de mudança de significado que estamos vivendo em se tratando de morar, onde estamos observando nossos espaços e trazendo mais pra perto da gente essa reflexão sobre a relação com nossas casas.

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Entretanto, neste sentido, o grande desafio tem sido transformar essa casa criando uma atmosfera que traduza nossa personalidade e sistemas de crenças. Um espaço que nos preencha de nós mesmos, com autonomia e liberdade a fim de conseguirmos gerenciar, organizar e decorar nossa própria casa comprometida aos nossos propósitos.

Portanto o primeiro passo nesta direção é olhar para dentro de nós mesmos e entender onde a gente quer chegar, buscando o que funciona pra gente. Quando temos um propósito de mudança, o melhor caminho é o questionamento. Ele nos ajudará igualmente a entender em que momento nos encontramos em relação a nossa casa e a nossa vida. Pensar no que estamos precisando no momento presente e em cada objeto que está ali ao nosso redor, com o intuito de trazer memória afetiva e nossa história pra contar.

O que a sua casa transparece?

Além disso, se uma pessoa entrasse na sua casa pela primeira vez, conseguiria identificar o que é mais importante pra você? Ou ainda quem você realmente é através de seus objetos? Aqueles objetos que a gente gosta e mantemos. E que acima de tudo, também fazem parte dessa história podendo ajudar a trazer essa sensação de calor, de abraço, de aconchego e segurança. E ao mesmo tempo em que vão nos ajudando a trazer reconhecimento, e um novo significado para essa mudança que paralelamente acontece baseada nessa reflexão que temos feito conosco.

Diante de tudo isso, pergunte a si mesmo o que é realmente importante manter, ou o que falta pra sua casa se parecer com você, e a partir disso, tenha a coragem de cuidar do seu lar e de sua vida baseado nas respostas que encontrou. Pense na possibilidade de construir um lugar onde você mal pode esperar para voltar, e poder assim revelar com toda certeza quem você é com consciência.

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Temos que buscar o que funciona pra gente. E apesar de tudo isso, acredito que dentro de cada um de nós existe o desejo de sermos nós mesmos. Além de querer ir atrás das coisas que acreditamos e amamos, e que nos tornam únicos.

Renovação

Sendo assim, a melhor decisão que podemos tomar nesse sentido, é dizer não a expectativa nas tendências de decoração que mudam a cada estação, e por conta disso, aceitar o fato de que não precisamos ter casa de revista para sermos felizes. Ter mais controle de nossas escolhas, pode tornar nossa vida diferente. Da mesma forma que podemos escolher ser nós mesmos e nossa casa pode ser um reflexo disso.

O momento pede renovação. E quando você encarar essa mudança de acordo com quem você realmente é, e de acordo com as coisas que você gosta e acredita, eu posso te garantir que tomar essa decisão de trabalhar em harmonia com seu propósito pode transformar a sua casa e consequentemente a sua vida.

 

Clô Azevedo é arquiteta e acredita que a casa é uma extensão das vidas que a habitam. Desenvolve projetos de design de interiores afetivos para conectar pessoas com suas histórias, inspirando a reinventar seu próprio espaço, morar bem e viver melhor. Seu site é designafetivo.com.

 

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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