A arte de contemplar

  • Lu Gastal

Ei, psiu! Eu sei, você sabe, quase todo mundo sabe: a cada tempo ou estação surgem as palavras ou expressões “da hora”. Em 2020, acredito que o “vai passar” tenha superado todas as expectativas, talvez apenas perdendo no ranking da palavra “gratidão” (ok… talvez “gratiluz” esteja entre as gírias do momento, mas confesso: ainda prefiro GRATIDÃO – a expressão mais sincera e verdadeira sobre agradecer algo a alguém… e não há como negar que é a palavra que mais circula atualmente entre memes, hashtags e comentários em redes sociais).

Mas hoje, daqui do meu sétimo mês de quarentena, aqui reflito: qual será a palavra que traduzirá esse difícil e desafiador ano??? No meu caso, não há muito o que pensar, indiscutivelmente minha palavra de 2020 se resume a apenas 10 letrinhas, C.O.N.T.E.M.P.L.A.R.

A definicão de contemplar

Peraí, vamos ali no “santo google” pra entender melhor:
CONTEMPLAR:
Verbo
1.transitivo direto e pronominal
fixar o olhar em (alguém, algo ou si mesmo), com encantamento, com admiração.
“contemplou longamente o recém-nascido”
2.transitivo direto
observar atentamente; analisar.

Então, vou me ater ao verbo transitivo direto, que traduz o CONTEMPLAR como observar atentamente, analisar.

Contextualizando

Pra quem ainda não me leu por aqui, explico: em meados de março cheguei de mala e cuida em zona rural. De luto (perdera o pai sem aviso prévio), coração apertadíssimo, sem nada entender sobre a tal da pandemia & o tão comentado-e-par-imperfeito Covid-19. Logo eu, pessoa urbana, acostumada com um intenso ir e vir, entre chegadas e partidas em aeroportos ou nas “pouco prestigiadas” estações rodoviárias. A estrada me guiava, oxigenava; a estrada e suas experiências alimentavam meus dias.

Pois bem, assim como provavelmente você, em março me recolhi, e por situações familiares e do destino, troquei a cidade pela roça.

Confesso, no início estranhei o silêncio, o cantar dos pássaros, as incertezas, a impossibilidade de planejar a próxima semana. As semanas se passaram; e entre um pôr do sol e um amanhecer, entre um dia de chuva e o próximo de sol, aprendi a contemplar, e, talvez, a aceitar, porque, afinal, nada do que vivia realmente estava nas minhas mãos. Meu arbítrio referia-se à forma de ver e viver esse período. Talvez isso lhe pareça um tanto piegas, e daqui do interior do interior do Rio Grande do Sul, cochicho no seu ouvido: por favor, repense seus conceitos!

Se eu, pessoa de hábitos totalmente urbanos, me senti inserida e em paz num habitat totalmente diverso do que estava acostumada, você também é capaz de acostumar-se às adversidades que esse ano nos trouxe. Basta olhar, observar, sentir; basta querer e se permitir!

Do lado de lá da sua janela, há um montão de detalhes – a luz, os movimentos da natureza, as cores das estações, os sons típicos de cada hora e dia. Basta observar pra sentir, basta se permitir pra curtir.

#ficaadica, contemple, sem pressa, sem medo, sem atropelos. E depois me conte se vc curtiu!

Beijos meus!!

 

Lu Gastal trocou o mundo das formalidades pelo das manualidades. Advogada por formação, artesã por convicção. É autora do livro “Relicário de afetos” e participa de palestras por todos os cantos. Desde que escolheu tecer seus sonhos e compartilhar suas ideias criativas, não parou mais de colorir o mundo ao seu redor. Seu Instagram é @lugastal.

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