6 ferramentas para cuidar da mente na pandemia

  • Diogo Rodriguez

Não tente lidar com problemas de saúde mental sozinho. Procure ajuda da sua família, dos seus amigos e, principalmente, psicólogos e psiquiatras

 

Já faz um par de meses que estou praticando o isolamento social, o que quer dizer que pouco saio de casa e não socializo com meus amigos ou parentes. Gosto sempre de lembrar o quanto sou privilegiado, claro, tendo a possibilidade de ficar em casa. Enquanto isso, milhões de brasileiros trabalham todos os dias para que tenhamos comida, água, eletricidade, limpeza urbana e outros tantos serviços essenciais. Isso, no entanto, não me impede de experimentar um certo sofrimento. Acho que uma grande parte de nós passou, passa ou passará por isso.

Há algumas semanas opinei aqui que a próxima grande crise será de saúde mental, causada pela pandemia. Milhões de pessoas estão em casa por medo de ficar doente ou contaminar outros. Muitos perderam o emprego e a renda. Não é possível fazer as coisas a que estávamos acostumados, circular livremente. A Organização Mundial de Saúde parece concordar com essa previsão.

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“O isolamento, o medo, a incerteza, o caos econômico – todos eles causam ou podem causar sofrimento psicológico”, explicou a diretora de saúde mental da organização, Devora Kestel. Além de todo o esforço para criar uma vacina, para aumentar a capacidade de nossos hospitais, para reerguer a economia mundial, será necessário implementar medidas para lidar com a saúde mental de milhões de pessoas em todo o mundo.

6 ferramentas para cuidar da mente na pandemia

Eu já estou em tratamento para lidar com meus transtornos de saúde mental (depressão e ansiedade, para quem não sabe) há alguns anos, então acabei aprendendo a desenvolver algumas estratégias para aliviar a pressão de momentos difíceis. Inspirado pelo professor Jeremy Caplan, diretor de aprendizado da faculdade de jornalismo da City University de Nova York, resolvi compartilhar algumas das ferramentas que tenho usado para minimizar o sofrimento da quarentena. Aliás, assinem a excelente newsletter do Jeremy, a Wonder Tools, que dá dicas de ferramentas sensacionais para o dia a dia.

Antes, preciso fazer um lembrete: não tente lidar com problemas de saúde mental sozinho. Procure ajuda da sua família, dos seus amigos e, principalmente, psicólogos e psiquiatras. A lista a seguir não substitui tratamentos. E lembrem-se também de que sou jornalista, não médico ou psicólogo.

1 – Meditação ao vivo

Desde que a pandemia começou, o jornalista Dan Harris, da rede de TV americana ABC e criador do podcast Ten Percent Happier, tem feito sessões ao vivo de meditação no Youtube. Todos os dias de semana, ele convida um professor reconhecido da área para falar sobre o sofrimento pelo qual estamos passando e para guiar uma prática ao vivo. É um evento curto, de apenas 20 minutos, que tem sido como uma missa para mim. Tento não perder nenhuma sessão. Dessa maneira, consigo meditar quase todos os dias e ainda tenho uma coisa bacana pela qual esperar no meu dia.

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Sei que nem todo mundo fala inglês, então deixo como alternativa as sessões diárias do professor Stephen Little, que faz lives diárias no Instagram às 8h30 e 16h30.

Ten Percent Happier Live

Todos os dias da semana, às 16h (horário de Brasília)
https://www.tenpercent.com/live

Meditação ao vivo com Stephen Little

Todos os dias, às 8h30 e 16h30
https://www.instagram.com/stephen.little.manjupriya/

2 – Controlar notificações

Eu já passava bastante tempo em casa antes da pandemia, fato. Mas, no meio de uma crise nacional e mundial, as notícias não param. Estamos nos comunicando por aplicativos de mensagem, pedindo comida, enfim, fazendo muitas coisas pelo celular. E ele é um exímio ladrão de atenção, podendo vibrar e fazer barulhos a qualquer momento do dia ou da noite.

Confesso que sou viciado no meu smartphone. Por isso, quando ouvi falar do app Daywise, resolvi testar. Ele retém as notificações dos apps e contatos que você escolher e as entrega em lotes programados. No meu caso, às 9h, 12h, 17h e 21h. Durante os intervalos, apenas a notificações que você escolheu aparecem instantaneamente. O Daywise tem me ajudado muito a aproveitar melhor o tempo durante o dia, seja para trabalhar, ler ou ficar olhando para o teto. Infelizmente, está disponível apenas para Android.

Daywise (aplicativo)

Gratuito por meio deste link.

3 – Desligar a internet do celular

Bom, não se trata exatamente de uma ferramenta, mas de aproveitar uma função que já existe no seu celular. Já disse que sou viciado em smartphone. Também sou viciado em notícias, que não param de chegar nesses tempos de covid-19.

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Meu uso do celular estava bastante descontrolado: depois do jantar, ficava horas rolando a telinha e, não raro, ia para cama com ele nas mãos. Isso estava atrapalhando muito meu sono, além de me impedir de ler livros, coisa que adoro fazer. Nem na TV eu prestava atenção, apesar de ela ficar ligada nos Simpsons, claro. Decidi, então, tomar uma atitude. Percebi que os smartphones permitem que a gente desligue o Wi-Fi e 4G. Determinei que, a partir das 20h30, eu não uso mais a internet no telefone. Tem sido ótimo. Voltei a ler, meu sono melhorou. E não sinto falta nenhuma de ficar olhando para a pequena tela como se fosse um zumbi.

4 – Ouvir bate-papo no rádio

De preferência, algum programa em que as pessoas conversem sobre assuntos leves. E sejam bem-humoradas, claro. Não sei exatamente o porquê, mas ficar escutando esse tipo de programa me dá um certo alento. Tenho acompanhado o Do Balacobaco 2.Zé, da rádio 89 de São Paulo. É um programa de humor que existe já há alguns anos. Felizmente, os apresentadores continuam no ar, apesar das medidas de isolamento social. Um deles fica no estúdio e os outros dois trabalham de casa.

Do Balacobaco 2.Zé

Segunda a sexta, das 10h às 12
89,1 FM (São Paulo) ou no radiorock.com.br

5 – Cozinhar

Sim, milhões de pessoas estão se dedicando à cozinha agora que temos um pouco mais de tempo nas mãos. E eu sou uma delas. Não estou participando de nenhum desafio nas redes sociais, mas, incentivado por minha companheira, tenho me arriscado a fazer alguns pratos que não acho aqui no Brasil. Por exemplo, hashbrowns, bolinhos de batata ralada feitos na chapa (lembram um pouco a batata suíça). Fiz também o feijão vermelho típico do estado americano da Louisiana. É bem parecido com a nossa feijoada, embora temperada de um jeito diferente.

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Cozinha exige de nossa mente que foque no presente. Isso ajuda a sair um pouco dos pensamentos circulares e ruminativos dos ansiosos e depressivos. E também é muito satisfatório conseguir fazer um prato do começo ao fim. Dá uma sensação de que uma missão foi cumprida. A internet, vocês sabem, está cheia de receitas, então basta achar alguma que te pareça bacana. Eu, pessoalmente, gosto muito do Jamie Oliver, que simplifica as receitas e dá dicas boas para os iniciantes. Ele tem vários livros em português, incluindo o ótimo “Revolução na cozinha”.

Jamie Oliver

https://www.jamieoliver.com/

6 – Abrir a agenda aos amigos

Tenho uma certa dificuldade em manter relações sociais. Percebi que se não fizesse um esforço, acabaria me sentindo muito isolado durante a pandemia. Mais uma vez imitando o Jeremy Caplan, decidi abrir minha agenda alguns dias e alguns horários na semana para que meus amigos e conhecidos pudessem tomar cafés virtuais comigo.

Como fiz isso? Usei a ferramenta Calendly, que permite criar um link para sua agenda, de maneira que as pessoas possam marcar conversas sem precisar combinar com você. Basta você escolher quais serão os horários que você quer deixar abertos para esses encontros e mandar o link para quem quiser. Ele se conecta à sua agenda Google. Se já houver alguma coisa marcada no horário aberto que você deixou disponível, não será possível marcar a conversa. Já fiz cerca de 10 desses cafés e tem sido uma maneira ótima de me conectar e reconectar aos amigos.

Calendly

Gratuito
https://calendly.com/pt

 

Diogo Rodriguez é jornalista e foi diagnosticado com depressão há cinco anos. Desde então, vem estudando o assunto. Escreve neste espaço às quintas-feiras –e divide mais sobre o tema no perfil @falandodepressao. Para conversar com ele e compartilhar sua experiência com saúde mental, mande um e-mail para [email protected]

 

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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