2020 está acabando e vem aí 2021

  • Lu Gastal

Ei, psiu, você já se deu conta que o ansioso e intenso 2020 tá acabando, né? Como eu, deve estar aí pensando alto, “ainda bem, eita ano difícil esse…”; e, talvez, nem lembre que, no final do 2019, você também desejava a chegada do ano novo, com uma vontade imensa de que tudo ficasse melhor do que estava.

Bem, não quero ser porta-voz da notícia mais “vida real” do momento, mas, eu sei, você sabe, todo mundo sabe, o reveillón nada mais é que um ritual, uma celebração onde conferimos todas as nossas expectativas e desejos aos próximos 12 meses. A gente prepara aquela ceia especial, usa uma lingerie que todos dizem dar uma sorte imensa no amor, veste aquela roupa branca bonitona (dizem que cores claras emanam boas energias), executa com precisão todos os rituais para a abundância de good vibes & dinheiro no bolso – tipo, pular 7 ondinhas, comer não sei quantos gomos de uva, devorar sem piedade um prato de lentilhas, escrever wishlists, etc, etc, etc.

Lamento informar, mas a virada do ano nada mais é que um desejo pessoal e intransferível de reforçarmos nossas vontades mais intensas, de tentarmos zerar tudo aquilo que imaginamos que seria bacana, mas não foi; talvez, repaginar o que deu errado, ou aquilo que não deu certo, ou apenas que aconteceu do jeito diferente do que a gente queria. Simples assim.

A gente coloca todas as expectativas numa só noite, acreditando que ela será mágica, e, no dia seguinte, ao acordar, além de nos depararmos com centenas de fotos de famílias perfeitas e suas ceias maravilhosas nas redes sociais, bate aquele rápido desespero da realidade: a certeza de que, após o feriado do primeiro de janeiro, tudo voltará à sua rotina – o trabalho, as escolhas, as dificuldades, as buscas, os relacionamentos, inclusive os amores. Talvez você tenha na sua carteira um papel bem branquinho com uma lista de coisas a fazer, talvez essas anotações estejam apenas gravadas no seu pensamento – o que importa é que a gente acredita, sim, que tudo pode ser diferente, e ACREDITAR é a palavra de ordem, pelo menos, em minha opinião!

Dezembro chegou com tudo e, nessa época, inexplicavelmente, as horas e os dias voam com ainda mais pressa. Se você não fez seus exames de rotina, se não lavou as cortinas da sala, se não rolou aquela faxina no guarda-roupa ou faltou tempo pro tapa no visu que todo final de ano a gente gosta de dar, nada de desespero, pois tudo isso poderá ser feito em janeiro, sem que lhe cause qualquer trauma psicológico.

Porém, se liga nessa dica preciosa: se você acha que faltou abraçar alguém que lhe é muito especial (mesmo em tempos de pandemia, em que os abraços nos foram subtraídos), não deixe de fazer, virtualmente, inclusive: ligue pra quem lhe é importante, fale palavras sinceras, deixe seu coração arremessar o que porventura estiver trancado na garganta. Coloque os sentimentos pra fora e os deixe fluir!

É totalmente desnecessário guardar amor e afeto pro ano que vem, para o momento certo – que certamente nunca chegará. Lembre-se, ainda temos alguns dias em dezembro e você pode, sim, organizar a agenda do seu coração para colocar em dia essas pendências emocionais. Porque, querido leitor, a vida não para; o ano novo poderá ser (ou não ser) diferente do que o atual – e isso dependerá apenas de nós mesmos!

Beijos meus!


Lu Gastal trocou o mundo das formalidades pelo das manualidades. Advogada por formação, artesã por convicção. É autora do livro “Relicário de afetos” e participa de palestras por todos os cantos. Desde que escolheu tecer seus sonhos e compartilhar suas ideias criativas, não parou mais de colorir o mundo ao seu redor. Seu instagram é @lugastal.


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